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"Como vocês devem saber, essa disciplina causou um certo alvoroço", disse o professor Luiz Felipe Miguel no início da primeira aula sobre "o golpe de 2016" na UnB (Universidade de Brasília). Alvo de polêmica, o encontro da disciplina "Tópicos Especiais em Ciências Políticas: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil", do curso de graduação em Ciências Políticas, foi cercada nesta segunda (5) de medidas extras de segurança.

A sala inicialmente separada para as atividades foi trocada por outra em um prédio ao lado, no Instituto de Ciência Política, em uma área menos movimentada.



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"Há males que vêm para bem: nos deram uma sala de aula com ar condicionado, o que é uma vantagem", brincou Miguel. "Mas também há preocupação para que esse curso ocorra da maneira mais tranquila e normal possível."



No início das aulas, o professor informou que a participação de alunos que não estivessem matriculados seria vetada. A lista de presentes foi verificada antes das atividades. A reportagem não pôde acompanhar.

Segundo a universidade, a mudança de sala ocorreu por segurança, devido ao receio de tumultos. Em outra medida, alunos foram orientados a não gravar o conteúdo. Havia o temor de que falas fossem deturpadas.

Para o professor, há "alvoroço artificial" sobre a disciplina. "É uma aula normal." A discussão ganhou destaque depois de o ministro da Educação, Mendonça Filho, pedir uma apuração para verificar se houve "improbidade administrativa" dos criadores da disciplina -que, segundo a ementa, tem entre os objetivos "entender os elementos de fragilidade do sistema político" que "permitiram a ruptura democrática" de 2016.

Aluna de história, Aline Nóbrega, 34, aprovou a aula. "Foi mais um apanhado histórico de alguns conceitos. Acho importante, pois as pessoas discutem tanto a palavra e não têm esses conceitos básicos do que é golpe e do que ao longo da história essa palavra representa."