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Um homem internado há três meses no Hospital Geral de Roraima (HGR) com esclerose lateral amiotrófica (ELA) se emocionou ao receber a visita do seu cachorro de estimação. O pedreiro Márcio Pereira, de 52 anos, se comunica apenas piscando os olhos, que não contiveram as lágrimas ao reencontrar o vira-lata Barney.

A ELA é uma doença degenerativa que faz com que a pessoa perca os movimentos do corpo gradativamente, mas a mente continua ativa.



A esposa do paciente, Francisca Silva, de 61 anos, contou ao G1 que teve a ideia de levar o pet para o hospital quando o marido perguntou sobre ele. "Um dia a gente percebeu que ele estava perguntando sobre alguém, mas a gente dizia vários nomes, mas ele dizia que não. Aí eu lembrei do Barney e era dele que ele queria saber", contou Francisca.

A filha do casal fez um vídeo do cachorro e mostrou para o pai, que "chorou quando viu o vídeo" e pediu para ver o animal.



Ao ver Barney pessoalmente, Márcio chorou de "emoção, alegria", relatou a psicóloga Carolina Scheffer. "Como a gente sabe que a limitação dele é permanente, precisamos ofertar uma boa qualidade de vida, algo que garanta bem estar. Esse reencontro sem dúvida foi tudo isso. Notamos toda a satisfação dele em ver o cachorro", explicou a profissional, que acompanhou a visita.

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A visita foi organizada pela equipe multidisciplinar do hospital, chamada Multi-T, formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogo, nutricionista, fonoaudiólogo e assistente social.

Para autorizar a entrada de Barney, que foi o primeiro animal a visitar algum paciente na unidade, a equipe checou questões relacionadas a vacinação e higiene do hospital.

Como o resultado foi positivo, a direção do HGR planeja usar ações semelhantes como método de tratamento.

"Esse contato foi muito bom, ele ficou muito feliz. Existem estudos que mostram que tratamento com pets ajudam na autoestima e desenvolvimento do paciente, principalmente o neurológico. Vou sentar com a equipe Multi-T para vermos novas possibilidades e estudarmos um tratamento alternativo, mais humanizado", avaliou o médico Patrick Araújo, coordenador do Grande Trauma do hospital, setor onde Márcio está internado.