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O presidente polaco, Andrzej Duda, pediu perdão, nesta quinta-feira (8), aos cerca de 13.000 polacos de origem judaica que foram expulsos durante a campanha antissemita de 1968, considerando que o país perdeu com a sua partida.

"Perdoem, por favor, perdoem à República, aos polacos, à Polônia de então, esse ato vergonhoso", declarou Duda, dirigindo-se aos judeus forçados ao exílio há 50 anos e às suas famílias.



"A Polônia livre e independente de hoje, a minha geração, não têm responsabilidade", adiantou.

A declaração ocorre num contexto de tensão entre a Polônia e Israel devido a uma lei polaca controversa sobre o Holocausto.



Duda falava no 'campus' da Universidade de Varsóvia na ocasião do 50.º aniversário da revolta estudantil de março de 1968, que foi seguida de uma violenta campanha antissemita, lançada pelas autoridades comunistas, e do exílio de milhares de polacos judeus.

Entre os que foram forçados a deixar o país encontravam-se sobreviventes do Holocausto e intelectuais destacados, como o sociólogo Zygmunt Bauman, assim como críticos do regime não judeus, como o filósofo Leszek Kolakowski.

"Que perda sofre a República polaca de hoje pelo fato dos que partiram — e alguns que talvez tenham morrido devido ao ano 1968 — não estarem agora conosco", disse Duda.

Lembrou que os polacos judeus participaram na luta pela independência do país há um século e que o defenderam em 1920 (contra os soviéticos) e em 1939 (contra os nazis).

Antes de chegar à universidade, Duda deslocou-se à estação ferroviária de Gdanski, de onde partiram de Varsóvia muitos dos judeus que se exilaram.

O chefe de Estado depositou uma coroa de flores no local e se encontrou com representantes da comunidade judaica. Com informações da Lusa.