COMPARTILHAR

A presidenciável russa Ksenia Sobchak aproveitou o último evento de sua campanha nesta quinta-feira (15) para lançar uma nova sigla, o Partido da Mudança, visando formar uma base de candidatos para disputar a eleição parlamentar federal de 2021.

Ela apresentou a novidade ao lado de Dmitri Gudkov, um ex-deputado que era estrela ascendente no Parlamento até votar contra a reabsorção da Crimeia pelo governo de Vladimir Putin, em 2014. Foi expulso de seu partido, Uma Rússia Justa, e filiou-se ao liberal oposicionista Iabloko.



Gudkov e seu pai, Gennadi, eram frequentadores do círculo íntimo de Putin, o que sempre levantou suspeitas de que sua rebeldia poderia fazer parte de um estratagema do Kremlin para envernizar o sistema político com a ideia de dissenso permitido.

O novo partido será montado com as licenças legais da sigla pela qual Ksenia disputa a Presidência no domingo (18), o Iniciativa Cívica, comandado por Andrei Netchaev, ex-ministro da Economia de Boris Ieltsin . Ele também estava presente no evento, que ocorreu em uma arena de show na zona noroeste de Moscou.



"Não fazia sentido tentarmos registrar do zero, com toda a burocracia", disse Ksenia. Ela enfatizou o caráter jovem do partido -ela tem 36 anos, Gudkov tem 38. Netchaev, por sua vez, é o parceiro sênior da empreitada, com 65 anos.

O evento de Ksenia juntou cerca de mil pessoas no chamado Adrenaline Stadium. Jornalistas, a maioria estrangeira, somavam quase cem pessoas –dando a medida de como Ksenia é um fenômeno midiático com apelo externo, em especial numa Europa cujos governos principais buscam dar projeção a qualquer sinal de oposição ao vilanizado Putin.

Foi um evento curto, de uma hora, com direito a show musical e discursos de pessoas da plateia. Tudo bastante apático, como de resto deverá ser a votação da jornalista e celebridade de TV -que pontua abaixo do 1% nas pesquisas disponíveis.

Outro ponto que faz Ksenia um personagem notável na cenário político russo, além de ser a única mulher a concorrer, é sua origem. Ela é filha de Anatoli Sobchak, o então prefeito de São Petersburgo que iniciou Putin na política em 1991.

Morto em 2000, pouco antes de seu pupilo ser efetivado na Presidência que ocupava interinamente desde a renúncia de Ielstin em 31 de dezembro de 1999, Sobchak apareceu em imagens de vídeo sobrepostas às de Ksenia durante o comício. A proximidade lhe valeu a mesma suspeita que recai sobre Gudkov, que ela rechaça igualmente. Ela disse que isso não passa de mentira.

Imagens da queda do muro de Berlim e um longo clipe com políticos e jornalistas mortos em circunstâncias suspeitas nos anos de Putin no poder se somaram a vários "making of" da campanha, com Ksenia naturalmente estrelando as peças.

Outros candidatos, como o liberal Grigori Iavlinski (Iabloko), concederam entrevistas. Putin, nem isso, a penas teve hoje divulgado mais um documentário sobre si, no qual concedeu uma entrevista e disse que a Rússia mandará uma missão não tripulada a Marte em 2019 -como o bilionário americano Elon Musk havia prometido fazer. Com informações da Folhapress.