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O Governo da Rússia disse que está se preparando para retaliar, após o anúncio de novas sanções dos EUA contra Moscou, por alegada interferência nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016, e às sanções britânicas motivadas pelo caso do ex-espião duplo Serguei Skripal.

O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov, disse que o Kremlin vai responder calmamente "e sem ser influenciado" às novas sanções de Washington, mas disse que a Rússia "começou a preparar medidas retaliatórias".



Riabkov sugeriu que a administração de Donald Trump decidiu anunciar as sanções para coincidirem com as vésperas da eleição presidencial na Rússia, que decorre no domingo.

O Governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (15) a imposição de sanções a 19 russos por alegadas interferências nas eleições de 2016, incluindo 13 pessoas indiciadas pelo procurador especial, Robert Mueller.



Os 19 cidadãos russos sancionados fazem parte da lista divulgada pela administração norte-americana no passado dia 30 de janeiro, que ficou conhecida como a 'Lista Putin' em que são identificados, a pedido do Congresso, 96 oligarcas e 114 altos funcionários do Kremlin que enriqueceram ou foram promovidos por intervenção do chefe de Estado russo.

Entre os 96 oligarcas apontados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como detentores de fortunas superiores a bilhões de dólares figuram o magnata do setor do petróleo Roman Abramovich, dono do Chelsea (clube de futebol britânico), Oleg Deripaska ou Mikhail Prokhorov.

Citado pela agência noticiosa estatal Tass, o responsável russo considerou que a decisão norte-americana "se relaciona com a desordem interna e está relacionada com o calendário eleitoral" da Rússia.

Em paralelo, Moscou disse também que se preparava para replicar à expulsão de 23 dos seus diplomatas anunciada por Londres no âmbito de uma série de sanções que considerou "absolutamente absurdas", na sequência do envenenamento de um ex-duplo espião russo refugiado em Inglaterra.

"As medidas de resposta estão em estado de elaboração e vão ser tomadas brevemente", assegurou a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, ao denunciar as "acusações totalmente absurdas contra a Rússia e todo o seu povo".

Após vários dias de acusações recíprocas, a primeira-ministra britânica Thersa May anunciou na quarta-feira a expulsão de 23 diplomatas russos e a suspensão dos contactos bilaterais com a Rússia, que declarou "culpada" do envenenamento de Serguei Skripal e de sua filha Yulia, que ocorreu em 04 de março em Salisbury, Inglaterra.

A Rússia dispõe de 59 diplomatas acreditados no Reino Unido. Os 23 diplomatas visados, considerados por Londres "agentes não declarados dos serviços de informações" têm "uma semana" para deixar o território. Esta será a mais importante vaga de expulsão de diplomatas russos pelo Reino unido desde a Guerra fria.

No entanto, May disse "não ser do nosso interesse nacional cortar totalmente o diálogo", apesar de anunciar que Londres não vai enviar qualquer representante, diplomático ou da família real, ao Mundial de futebol que decorre esta verão na Rússia.

Numa primeira reação, a diplomacia russa qualificou as sanções de "provocação grosseira sem precedentes", mas não indicando o conteúdo da sua resposta.

O ex-espião duplo de origem russa Serguei Skripal, 66 anos, e a filha Yulia, 33, foram encontrados inconscientes no dia 04 de março, num banco num centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra, e estão hospitalizados em "estado crítico, mas estável".

Dias depois, o chefe da polícia antiterrorista britânica, Mark Rowley, revelou que Skripal e a filha tinham sido vítimas de um ataque deliberado com um agente neurotóxico, um componente químico que ataca o sistema nervoso e que pode ser fatal.

Na segunda-feira (12), numa intervenção no Parlamento, Theresa May considerou "muito provável" que a Rússia tivesse sido responsável pelo duplo envenenamento.

A Rússia nega qualquer a responsabilidade no ataque, que já mereceu a condenação de vários governos, incluindo o de Portugal, e de dirigentes como os presidentes norte-americano, Donald Trump, e francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg. Com informações da Lusa.