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O pub, em variantes mais ou menos fiéis aos originais do Reino Unido e da Irlanda, é uma instituição onipresente em cidades grandes do mundo. Na noite de quarta (14), um exemplar bastante tradicional em Moscou desse tipo de bar tornou-se palco de um pequeno debate geopolítico entre os rivais da vez, russos e britânicos.

Se o tema era a crise entre os dois países, o pano de fundo não poderia ser mais apropriado: um jogo de futebol. No caso, a partida na qual o Barcelona de Lionel Messi massacrou o inglês Chelsea, para desalento dos turistas Tim, Jones e John. Jovens ingleses na casa dos 25 anos e moradores de Londres, eles haviam chegado naquela quarta a Moscou, que não conheciam.



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Como é notório, até pelas medidas de precaução que Moscou já implantou, o comportamento de torcedores ingleses e russos é considerado de alto risco na Copa que começa na Rússia em junho. A fama de brigões e beberrões os precede, mas nada durante o primeiro tempo da partida no pub Punch & Judy´s da rua Piatintskaia (zona nobre de Moscou, perto do Kremlin) indicava grandes problemas à frente. Até que o tema Novotchik chegou ao balcão com uma Guinness pedida por Tim, que tem antepassados irlandeses como a cerveja.



"Será que tem Novo-veneno?", brincou ele com o garçom, Igor, que por motivos óbvios é fluente em inglês e não gostou da piada com o agente neurotóxico que Londres diz ter sido usado por Moscou contra o ex-espião Serguei Skripal e sua filha, gerando uma crise diplomática. Foi apoiado por Pavel, que tomava uma holandesa Heineken no balcão de madeira típico. Falaram algo incompreensível para os não-russos presentes e deram risada. Os ingleses morderam a isca e esqueceram o naufrágio de seu time na tela da TV plana à frente.

Confrontando o grupo, que se virou para ele, Pavel disse em inglês precário: "Isso tudo é porque vocês não gostam da Rússia, mas estão aqui bebendo nossa cerveja. Virão para a Copa, tenho certeza". Tim, o mais falante dos três amigos, disse que o problema era o governo de Vladimir Putin, que "manda matar pessoas". Pavel e Igor votam no ultranacionalista Vladimir Jirinovski, mas tomaram as dores do seu presidente. "Isso é errado", disse o garçom, subindo um pouco o tom de voz.

O pub estava praticamente vazio. A reportagem evitou o papel de mediador de conflitos internacionais, limitando-se a perguntar os nomes dos jovens, suas origens e o que achavam da crise. Jones disse que os três costumam viajar juntos e que têm planos para vir ao torneio, embora não tenham comprado ingressos ainda. Mas que agora, já em tom mais sério, tinham dúvidas se era uma boa época para um inglês visitar a Rússia. E falaram a sério temer algum tipo de envenenamento.

"Governo é governo, somos todos amigos", desanuviou Igor, dedicando-se a reabastecer os turistas. Pavel levantou-se no intervalo e fez menção de ir embora, quando a reportagem sugeriu um registro fotográfico do grupo em celebração futebolística. Tim perguntou o nome do repórter, homônimo do garçom e com traços que podem ser considerados eslavos. Logo, um potencial espião perigoso, ou algo assim. "Para quem você trabalha?", quase gritou, partindo para cima do celular em posição de disparo. A foto, e a paz entre Rússia e Reino Unido, ficou para outro dia. Com informações da Folhapress.