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Milhares de curdos do Iraque assinalaram nesta sexta-feira (16) o 30.º aniversário do maior ataque de gás contra civis, realizado a 16 de março 1988 em Halabja pelo exército de Saddam Hussein.

Cerca de 5.000 curdos morreram nesse dia asfixiados pelos gases lançados pelos aviões do ditador iraquiano, derrubado em 2003 na sequência da invasão conduzida pelos Estados Unidos.



Foi o cúmulo da campanha de represálias contra os curdos, cujos dois principais partidos se tinham aliado com o Irão para tentar obter a autonomia da sua região no norte do Iraque.

O exército iraquiano, no seu oitavo e último ano de guerra contra o vizinho iraniano, lança o gás em Halabja durante uma campanha de repressão brutal, que resultou igualmente em dezenas de milhares de mortos e deslocados e em centenas de aldeias destruídas.



Fatima Mohammad, com 17 anos na altura, contou à agência France Presse ter inalado os gases, incluindo gás de mostarda, segundo os especialistas. Ainda hoje sofre de "problemas respiratórios" e continua tomando medicamentos.

Assistiu à homenagem em Halabja, como a maioria dos 200.000 habitantes da localidade cravada na montanha curda (nordeste).

Muitos se vestem de preto e têm nas mãos retratos dos familiares desaparecidos sobretudo de mulheres e crianças, junto ao memorial da localidade foram depositadas coroas de flores e no imenso cemitério colocaram-se bandeiras curdas sobre as tumbas.

Em Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, os habitantes observaram um minuto de silêncio em memória das vítimas de Halabja, que se tornaram emblemáticas da atrocidade das armas químicas.

Primo de Saddam Hussein, o general Ali Hassan al-Majid, alcunhado de "Ali o químico", foi condenado à morte em 2010 por aquele massacre. Até ao fim afirmou tê-lo feito pela segurança do Iraque.

A morte de Saddam Hussein, enforcado em 2006 pelo massacre de 148 aldeões xiitas em Dujail, foi o final do processo em que era julgado por "genocídio" contra a população curda. Com informações da Lusa.