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Ao fim da tarde da sexta-feira (16), o centro de Madri estava sob tensão, um dia após a morte em circunstâncias controversas de um vendedor ambulante senegalês que desencadeou confrontos com a polícia e protestos no Senegal.

"Queremos fazer um apelo à calma", declarou a vice-presidente da Câmara da capital espanhola, Marta Higueras, após novos incidentes ao fim da manhã, anunciando que a presidente do município, Manuela Carmena, havia encurtado uma estada em Paris para regressar a Madri.



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Pelas 18h (14h em Brasília), mais de um milhão de pessoas estavam concentradas numa das praças do bairro central de Lavapiés, na maioria jovens vestidos de negro e equipados com lenços, alguns deles gritando "Polícia assassina!". Em Barcelona, também houve uma manifestação.



Os participantes responderam à convocatória para protestarem feita pelo "Sindicato dos 'Manteros'" (termo utilizado em Espanha para designar os vendedores ambulantes), que quer "denunciar o racismo institucional" que conduziu ao "assassínio" de Mame Mbaye Ndiaye, um cidadão senegalês de 35 anos.

Na quinta-feira (15) à tarde, Mbaye Ndiaye fugira de uma intervenção da polícia na turística praça da Puerta del Sol e tinha chegado ao bairro de Lavapiés, onde residem pacificamente espanhóis e imigrantes de todas as nacionalidades.

Segundo os serviços de emergência, o senegalês foi vítima de convulsões e sofreu um ataque cardíaco, seguido de paragem cardiorrespiratória. À noite, dezenas de manifestantes atiraram pedras e garrafas a um caminhão de bombeiros, e numerosos policiais que se encontravam no local reagiram disparando balas de borracha.

Elementos de mobiliário urbano, entradas de sucursais bancárias e bicicletas foram incendiados. A polícia contou dez feridos nas suas fileiras e fez seis detenções, mas não se registraram mais feridos. O Senegal protestou junto de Espanha e exigiu uma "investigação independente".

"Convoquei imediatamente o embaixador de Espanha (em Dakar) para lhe transmitir uma nota verbal de protesto", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros senegalês, Sidiki Kaba, à rádio privada RFM. Segundo um vereador encarregado da polícia municipal de Madri, José Javier Barbero Gutiérrez, Mbaye Ndiaye sucumbiu a uma paragem cardíaca cerca de 15 ou 20 minutos depois de "ter aparentemente chegado à Puerta del Sol, onde ocorreu uma intervenção policial sobre a venda ambulante".

"Não temos conhecimento de uma intervenção policial que o visasse pessoalmente", acrescentou o responsável, enquanto muitos senegaleses garantiam que ele se viu obrigado a correr porque estava sendo perseguido.

A Câmara de Madri anunciou um inquérito aprofundado e solicitou as gravações das câmaras de rua no seu percurso. A Espanha, com 46,5 milhões de habitantes, tem cerca de 10% de estrangeiros, dos quais apenas 64.000 são senegaleses. Com informações da Lusa.