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O Sri Lanka revogou neste domingo (18) o estado de emergência decretado há quase duas semanas após confrontos entre muçulmanos e cingaleses budistas que provocaram três mortos e dezenas de casas, lojas, empresas e lugares de culto destruídos. "Após analisar a situação da segurança pública, ordenei a revogação do estado de emergência desde a meia-noite de ontem", anunciou neste domingo na sua conta da rede social Twitter o presidente do país, Maithripala Sirisena.

O Sri Lanka decretou em 6 de março deste ano o estado de emergência com duração de dez dias em todo o país, após tumultos contra a minoria muçulmana e violências intercomunitárias.



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Esta medida, que não era utilizada há sete anos, coincidiu com a imposição no dia anterior do recolher obrigatório na região turística de Kandy (centro), após a descoberta do corpo de um muçulmano nos escombros de um edifício ardido.



No último dia 10, a polícia anunciou que a região tinha regressado à normalidade, mas as autoridades decidiram manter os mais de três mil militares deslocados para evitar novos confrontos. Esta semana, o Governo levantou gradualmente as restrições impostas ao uso das redes sociais.

Os confrontos deste mês entre as comunidades religiosas foram os mais graves desde 2014, ano em que se registraram quatro mortos e 16 feridos em tumultos entre a maioria cingalesa, maioritariamente budista, e muçulmanos, no sul do país.

Os cingaleses constituem três quartos dos 21 milhões de habitantes da ilha, enquanto os muçulmanos representam cerca de 10% e os tamil, na maioria hindus, à volta de 18%.

Nos últimos anos, as tensões entre budistas e muçulmanos têm aumentado à medida que foram crescendo as organizações budistas extremistas. O Sri Lanka esteve sob estado de emergência durante quase três décadas antes da proclamação pelo governo, em 2009, da sua vitória militar contra a rebelião tamil. Com informações da Lusa.