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O papa Francisco nomeou, nesta quarta-feira (21), o arcebispo metropolitano de Uberaba (MG), dom Paulo Mendes Peixoto, como o novo administrador apostólico da Diocese de Formosa, no entorno do Distrito Federal (DF). A regional goiana da Igreja Católica é alvo da Operação Califás, do Ministério Público do estado de Goiás, que investiga desvio de dinheiro proveniente de dízimos e de doações de fiéis.

No total, nove pessoas foram presas, preventivamente, na segunda-feira (19), dia em que foi deflagrada a operação, suspeitas de envolvimento no escândalo de desvio de dinheiro da cúria.



Entre elas, estão o bispo de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro, e o vigário-geral da diocese, monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, os dois maiores postos na hierarquia local. O esquema de corrupção pode ter causado prejuízo de mais de R$ 2 milhões, segundo a Promotoria goiana.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) informa que a decisão do papa ocorreu sem qualquer tipo de interferência da instituição. Na prática, a nomeação designa uma espécie de interventor para a Diocese de Formosa.



Como se trata de uma decisão eclesiástica temporária, o arcebispo de Uberaba vai acumular as duas funções sem deixar a sua cidade para se mudar para o município goiano.

A decisão do papa Francisco foi publicada ao meio-dia desta quarta-feira (21) -às 8h no horário de Brasília-, no Observatório Romano, órgão oficial do Vaticano.

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REAÇÃO

O ato surpreendeu autoridades religiosas locais, que, apesar de considerarem como graves as suspeitas, não esperavam uma reação considerada rápida do Vaticano.

A prisão do bispo de Formosa e outros religiosos fez a CNBB manifestar "solidariedade com o presbitério e os fiéis da diocese, recordando ao irmão bispo que a justiça é um abandonar-se confiante à vontade misericordiosa de Deus", diz a nota, assinada pelo secretário-geral da CNBB e bispo auxiliar de Brasília, Leonardo Ulrich Steiner. "A verdade dos fatos deve ser apurada com transparência, visando ao bem da igreja particular e do bispo".

Entre os presos, também está o juiz eclesiástico Thiago Wenceslau, que foi convocado após denúncias de fiéis sobre o suposto esquema de corrupção dentro da Diocese de Formosa.

Ele foi enviado de São Paulo para Goiás para fazer uma auditoria nas contas da igreja, segundo o coordenador da operação, promotor de Justiça Douglas Chegury. No entanto, conforme a Promotoria, Wenceslau forjou relatório de contas para livrar o bispo da cidade goiana.

Wenceslau é o mesmo padre responsável pelo processo que resultou na excomunhão de Roberto Francisco Daniel, conhecido como padre Beto, acusado de defender a relação homoafetiva na Diocese de Bauru, no interior de São Paulo (SP), em 2013.

A reportagem teve acesso ao documento contábil, datado de 20 de dezembro de 2017, e resultado da suposta auditoria de Wenceslau. O documento cita que houve uma "prolongada e minuciosa investigação na contabilidade da Diocese de Formosa, cujo relatório foi revisado e retificado a pedido do juiz".

Assinado por três conselheiros, o relatório concluiu, na época, que as denúncias sobre irregularidades financeiras e administrativas contra o bispo e a diocese eram calúnias.

A Promotoria de Goiás batizou a operação com o nome de um sumo sacerdote quando Jesus foi condenado a morrer na cruz. As denúncias partiram dos próprios fiéis.

A reportagem não conseguiu localizar o advogado do bispo, identificado como Ulisses Borges, nem as defesas do vigário-geral e do juiz eclesiástico. Com informações da Folhapress.