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Após três pessoas morrerem em São Paulo em consequência das chuvas desta semana, o prefeito João Doria (PSDB) decidiu passar o dia inteiro no gabinete pelo segundo dia consecutivo. Doria deixará o cargo no início de abril para disputar a eleição ao governo do estado, após 15 meses no cargo.

A agenda fechada foge do estilo do prefeito, que costuma fazer seguidas aparições durante um mesmo dia, com entrevistas e eventos dentro e fora da prefeitura. Em março, por exemplo, apenas no dia 16 o prefeito havia permanecido dia todo no gabinete.



Assim como na quarta-feira (21), Doria passará esta quinta (22) em reunião com o secretariado, no prédio da prefeitura, no viaduto do Chá, no centro da cidade. As mortes ocorreram na terça-feira (20).

Até agora, a prefeitura vem se manifestando sobre a chuva por meio de notas e outros porta-vozes que não o prefeito. As publicações na rede social do tucano também não tocam no tema dos estragos feitos pela chuva e as providências que estão sendo ou não tomadas pela prefeitura desde então.



Segundo a prefeitura, as agendas de quarta e quinta já estavam previstas dessa forma desde a semana passada, portanto o tucano não "fechou" os eventos após ou por causa das mortes nas enchentes.

A semana, que começou com a vitória do tucano nas prévias para ser o candidato do partido ao governo do estado, mudou de rumo na terça-feira, quando a capital paulista enfrentou sérios transtornos com alagamentos e registrou três mortes em consequência da chuva. As vítimas foram uma criança, uma idosa e um segurança.

Desde que assumiu o cargo, Doria tem deixado de utilizar a maior parte do dinheiro previsto para obras e manutenção antienchente em São Paulo. Neste começo de 2018, a tendência se repete: em quase três meses os gastos do tucano com programas de drenagem ficaram bem abaixo inclusive do que com asfaltamento de rua e publicidade. No ano passado, a administração Doria gastou apenas 33% do orçado em ação contra enchentes –R$ 275 milhões de R$ 825 milhões.

ASSISTÊNCIA

A respeito das enchentes desta terça, a gestão afirmou ter atendido as vítimas. Sem especificar se os atingidos estão desabrigados ou tiveram que deixar suas casas temporariamente, informou apenas que os atendimentos estão relacionados a ocorrências de desabamentos.

Também não informou quantas pessoas estão nos albergues públicos.

Em nota, a prefeitura afirmou que disponibilizou 524 colchões e cobertores, 199 cestas básicas e 185 kits de higiene e limpeza para famílias que não aceitaram acolhimento e escolheram ficar na casa de parentes e amigos. A gestão também lamentou a morte das vítimas relacionadas às chuvas na cidade.

A gestão reclama da falta de repasses federais para obras de drenagem no último ano e nega lentidão no ritmo do gasto com a área em 2018.

A prefeitura afirma que os gastos em 2017 também foram afetados por um contingenciamento de R$ 7,5 bilhões do orçamento, devido a "déficit verificado pela receita superestimada pela gestão anterior [de Fernando Haddad, do PT]".

Segundo a administração, os investimentos também foram comprimidos pela arrecadação ainda limitada pela recessão do ano passado.

Sobre este ano, a prefeitura diz que não há baixa execução das despesas com drenagem. "Ocorre que a liquidação dos valores empenhados obedece um rito, que inclui a necessidade primeiro da contratação da obra e reserva dos recursos, empenho, medição da obra realizada, até a liberação dos pagamentos para liquidação."

Segundo o comunicado, no primeiro trimestre "foram empenhados R$ 319 milhões em obras a serem realizadas este ano (dos quais apenas R$ 10,9 milhões já chegaram na fase da liquidação)".

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OUTROS PROBLEMAS

Além da questão das chuvas, o prefeito passa por saias justas relacionado a casos de corrupção envolvendo servidores da sua gestão.

A divulgação de gravações de conversas sobre a licitação bilionária da PPP (Parceria Público Privado) da iluminação pública na cidade de São Paulo derrubou, na quarta, a diretora do Ilume (Departamento de Iluminação Pública da capital paulista), Denise Abreu.

Outro caso envolve o comandante geral da Guarda Civil Metropolitana da gestão Doria, Carlos Alexandre Braga, que é réu sob a acusação de desvio de dinheiro público e falsificação e uso de documento público falso. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal de ter participado de esquema de desvio de mais de R$ 200 mil de verbas federais por meio de convênio fraudulento entre a associação que ele presidia e a Prefeitura de Paraguaçu Paulista (422 km de São Paulo).

Ainda nesta semana, a Justiça paulista aceitou ação de improbidade administrativa contra o prefeito, denunciado pelo Ministério Público pelo uso da marca "SP Cidade Linda" -programa de zeladoria urbana do tucano- mesmo após decisão judicial anterior proibindo o ato.

A Promotoria acusa Doria, pré-candidato ao Governo de São Paulo, de fazer uso indevido da marca do Cidade Linda (um coração vermelho com as letras SP) para tirar benefício próprio. Com informações da Folhapress.