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Nesta quinta-feira (22), uma sessão solene na Câmara comemorou o Dia Internacional do Direito à Verdade, sobre graves violações aos direitos humanos e da dignidade das vítimas.

A data comemorativa oficial é 24 de março, sábado, e foi instituída pela ONU em 2010 para relembrar o dia de morte do bispo Dom Oscar Romero, executado com um tiro no peito em El Salvador, por ser contrário aos métodos da ditadura e às constantes violações dos direitos humanos naquele país.



Neste ano, a homenagem será estendida à vereadora carioca Marielle Franco, do PSOL, assassinada no Rio de Janeiro na semana passada, junto com o motorista Anderson Gomes. A mulher dela, Monica Benício, e a irmã, Anielle Silva, participaram do evento.

Para Luiza Erundina, autora do projeto de lei que instituiu a comemoração, a sessão solene servirá de alerta para a ameaça aos direitos humanos no Brasil.



“Vamos procurar dar força e sentido a esses eventos no sentido de retomar, com muito mais energia, organização e força, a resistência ao retrocesso e à ameaça concreta aos direitos humanos e também os riscos graves à democracia e ao estado democrático de Direito no nosso país", afirmou Erundina.

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De acordo com o portal G1, a deputada também destacou a importância da data para resgatar a verdade histórica sobre acontecimentos durante o regime militar no Brasil. "São 434 mil desaparecidos políticos", disse Erundina.

O deputado Wadih Damous (PT-RJ), que presidiu a Comissão da Verdade do Rio, também cobrou esclarecimento. "Enquanto não tivermos a resposta sobre o paradeiro dos nossos desaparecidos, não teremos uma democracia plena. (…) É uma espinha na garganta da democracia brasileira", afirmou Damous.

O pedido foi reforçado pel líder do PSOL na Câmara, o deputado Ivan Valente (SP). "Nós queremos saber a verdade", disse.

Atuante na defesa de direitos humanos e integrante também do movimento LGBT e negro, Marielle Franco chegou a denunciar, antes de morrer, abusos cometidos por policiais contra jovens da periferia já na vigência da intervenção federal no Rio de Janeiro.

Faixas ainda foram estendidas no plenário. Uma delas questionava: "Quem matou Marielle e Anderson?"