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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (22) que não tem expectativas quando pensa nos julgamentos que decidirão seu futuro.

"Não tenho expectativa. Não trabalho com expectativas", disse ele ao ser questionado sobre as sessões sobre o caso dele no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta quinta, e no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), na segunda-feira (26).



Em viagem pelo Sul do país, o petista não quis comentar antecipadamente a sessão no Supremo que analisou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa para impedir que ele seja preso antes de esgotadas todas as etapas legais, no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Os ministros da corte decidiram que o julgamento ficará para o dia 4 de abril. A maioria dos magistrados também concordou em dar uma liminar para impedir que ele seja preso até que o Supremo julgue o habeas corpus.



No TRF-4, os juízes avaliarão recurso dos advogados do petista contra condenação aplicada pela própria corte.

'CAMBADA'

Na cidade gaúcha de São Miguel das Missões, Lula assistiu a uma cerimônia em que remanescentes de tribos indígenas colonizadas por jesuítas cantaram. O ex-presidente também conversou com crianças indígenas e posou para fotos com elas.

Entre as ruínas de uma antiga igreja, era possível ouvir gritos e palavras de ordem de manifestantes que protestavam contra a passagem do petista. O grupo levou tratores e máquinas agrícolas para o entorno do sítio histórico.

O prefeito da cidade, Hilário Casarin (PP), que estava ao lado dos críticos ao ex-presidente, assumiu o microfone para protestar contra o que chamou de um ato político de uma cambada, referindo-se aos militantes petistas.

Lula está enfrentando atos de repúdio durante sua caravana pela região, que começou na segunda-feira (19).

Antes de subir no ônibus para deixar São Miguel das Missões, o ex-presidente foi abraçado por um apoiador que chorou em seu ombro. "Nada de desanimar", disse Lula ao simpatizante.

No caminho para a cidade de Cruz Alta, segunda parada da comitiva nesta quinta, manifestantes jogaram ovo nos três ônibus da caravana.

Ruralistas se voltaram contra o ex-presidente depois de ele ter falado em Santa Maria, na terça (20), que fazendeiros, quando obtêm financiamento para compra de maquinários, "não só são mal-agradecidos como passam a vida falando mal do PT".

Ele disse ainda que fazendeiros têm dois prazeres na vida: "Quando recebem o dinheiro e quando dão calote".

"Se eles tratassem os empregados como tratam os cavalos, os empregados estariam muito bem de vida", afirmou Lula. E acrescentou: "Estou cansado de ver cavalo comendo maçã".

SEGURANÇA

Após a série de enfrentamentos entre detratores e apoiadores, o ex-presidente chegou a se reunir na noite de terça-feira (19) com dirigentes petistas e coordenadores da caravana para reavaliar sua agenda e discutir medidas adicionais de segurança.

Na Universidade Federal de Santa Maria, opositores de Lula -um deles com um chicote- entraram em confronto com estudantes e integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Munidos de pedaços de paus, participantes trocaram socos e pontapés. Eles acabaram contidos por outras pessoas.

Sob a orientação de Lula, petistas procuraram o ministro da Segurança, Raul Jungmann, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (MDB), a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a Secretaria de Segurança do Estado para relatar os conflitos.

"A caravana foi pensada para um ambiente sereno", disse o ex-ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul.

"A caravana pacífica e democrática do ex-presidente Lula está sendo ameaçada e agredida por milícias profissionais formadas pela direita e extrema-direita aqui no Rio Grande do Sul", afirmou a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR).

A região Sul, escolhida para a quarta etapa da caravana, é onde o ex-presidente tem menos apoio.

Segundo pesquisa Datafolha de janeiro, 23% dos eleitores da região manifestaram intenção de votar no petista, contra 41% no Norte e 56% no Nordeste, por exemplo. Com informações da Folhapress.