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Três funcionárias da creche Céu Estrelado, em Guaianases (zona leste de São Paulo), foram demitidas após um bebê de sete meses ter sido abandonado sozinho no local na última terça-feira (20).

A Secretaria Municipal de Educação, ligada à gestão João Doria (PSDB), disse que a diretora, a coordenadora da unidade e a professora responsável pela criança foram desligadas da Associação Céu Estrelado, responsável pela administração da creche.



O pai do bebê conseguiu retirá-lo da unidade pela janela. Ele subiu no telhado do vizinho e rasgou a proteção para ter acesso ao prédio.

Os pais registraram um boletim de ocorrência no 44º DP (Guaianases) contra a creche. O delegado titular, Arthur Frederico Moreira, disse que é apurado abandono de incapaz.



Ele explicou que ouviu a diretora da escola e ela afirmou que saiu mais cedo para ir ao dentista.

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"Precisamos saber quem ficou responsável e ouvir os demais funcionários. É um caso gravíssimo", disse.O delegado afirmou que mais de uma pessoa pode ser indiciada pelo crime.

A reportagem entrou em contato com a responsável pela Associação Céu Estrelado, mas ela se recusou a falar.

O CASO

A atendente Caroline Figueiredo Costa, 18, afirma que ligou para a creche informando que o marido iria atrasar um pouco para buscar o filho, por causa do temporal que atingiu a capital paulista na tarde de terça-feira (20).

"Avisei que ele chegaria uns 10 minutos atrasado, porque a chuva atrapalhou todo mundo", afirma Caroline.Segundo relato da mãe, seu marido, Wellington Elias dos Santos Júnior, 20, chegou na creche por volta das 16h40, cerca de 20 minutos depois do horário em que costuma pegar o menino normalmente. Ele chamou, gritou e ninguém atendeu. Decidiu então ir à casa da sogra perguntar se alguém da família já tinha levado a criança e foi surpreendido ao descobrir que não estava lá.O pai voltou para a creche e vizinhos perceberam que havia uma criança chorando dentro do prédio. Wellington então subiu pelo telhado de um vizinho, arrancou a tela de uma janela e saiu da creche com o filho no colo."A professora disse hoje [quarta-feira] de manhã que foi embora às 17h, mas como se meu marido chegou às 16h40 e não tinha mais ninguém?", questiona a mãe.Segundo Caroline, a criança tem refluxo e não pode ficar sozinha -sob risco de engasgar. Na ocasião, a Diretoria Regional de Educação de Guaianases, ligada à gestão Doria, diz que considera o caso "inadmissível" e que exigiu a demissão da diretora, da coordenadora e da professora responsável, contratadas pela entidade mantenedora da creche.Segundo a diretoria, a creche funcionou na quarta (21) com supervisão direta e nesta quinta já teria novos funcionários. O órgão diz que exige uma série de requisitos que devem ser cumpridos pela conveniada. A direção da creche não foi localizada.