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A imprensa russa considerou, nesta terça-feira (27), que as expulsões coordenadas de diplomatas russos de 23 países após o envenenamento de um ex-espião russo mergulharam as relações entre Moscou e o Ocidente num novo "período de Guerra Fria".

O diário Izvestia usa o título "encenação russofóbica", enquanto o jornal Nezavissimaia Gazeta lembra que "há muito tempo não se registram expulsões coordenadas assim".



"A relação entre a Rússia e o Ocidente entra num período de 'Guerra Fria'", resumiu o analista Fiodor Loukianov nas páginas do diário Vedomosti, considerando que as expulsões "são particularmente destrutivas para as relações russo-americanas".

"Está claro que ainda não se chegou ao fim desta escalada, uma vez que é aparente que será agravada. Esperam-se medidas ainda mais severas do que as sanções econômicas contra a Rússia", previu.



Para o diário Kommersant, as "medidas, de uma gravidade sem precedentes (…), não são mais do que um novo agravamento das relações" entre a Rússia e os países ocidentais.

Em sentido contrário, a rádio independente Ekho Moskvy defendeu que toda a política da Rússia "concentra a energia na autodestruição desde 2014", ano da anexação da península ucraniana da Crimeia, seguida por uma série de sanções ocidentais.

Até agora, 23 países decidiram expulsar mais de uma centena de diplomatas russos, no âmbito das represálias ocidentais após o envenenamento, em 04 de março, do ex-espião russo Serguei Skripal em solo britânico, pelo qual Londres responsabiliza Moscou.

O Kremlin já reagiu e considerou as medidas um "gesto provocador", prometendo responder à altura. "A Rússia nada tem a ver com essa questão", insistiu Moscou. Com informações da Lusa.