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Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o juiz federal Sérgio Moro defendeu a manutenção do entendimento de que réus podem ser presos após condenação em segunda instância, às vésperas do julgamento do caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 4 de março.

Moro considerou que rever o entendimento sobre o assunto seria um "desastre" e que o tema vai além do caso de Lula, podendo vir a beneficiar traficantes e pedófilos, por exemplo.



"Foi estabelecido um precedente importante, em 2016, pelo saudoso ministro Teori Zavascki. Esperar o último julgamento seria um desastre muito grande, porque levaria à impunidade, especialmente dos poderosos. É um assunto que transcende o ex-presidente Lula", disse Moro.

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"Há lá peculatos milionários, dinheiro desviado da saúde, da educação, e que faz falta para a população. Tem traficante, tem pedófilo, doleiros, e isso estou falando dentro de um universo pequeno, de onde eu trabalho", continuou o magistrado, responsável pela condenação de Lula no caso do tríplex do Guarujá (SP) – a pena estipulada por ele (9 anos e 6 meses) foi aumentada para 12 anos e 1 mês pelo Tribunal Regional da 4ª Região.

Em favor do país não "dar um passo atrás", Moro ressaltou a conduta dos ministros do STF e se negou a acreditar na tese de uma possível benevolência da Corte com Lula. Ele mencionou especialmente a ministra Rosa Weber, tida por analistas como peça-chave para o julgamento do próximo dia 4.

"Tenho apreço especial pela ministra Rosa Weber, com quem trabalhei. Pude observar a seriedade da ministra, a qualidade técnica da ministra", comentou Moro. (Sputnik)