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O fundador do Wikileaks, Julian Assange, que está asilado na embaixada do Equador em Londres desde 2012, teve o acesso a comunicações restrito na terça-feira (27). A medida foi anunciada pelo Governo do Equador após ele violar o acordo de não opinar sobre questões globais,, conforme relata o jornal Diário de Notícias.

"O Governo do Equador suspendeu os sistemas que permitem a Julian Assange comunicar com o exterior a partir da embaixada equatoriana em Londres", informaram as autoridades equatorianas em nota enviada à imprensa, reproduzida pelo periódico.



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A posição adotada pelo governo de Lenin Moreno sustenta que a decisão foi motivada pelo não cumprimento, por parte do fundador do Wikileaks – organização sem fins lucrativos que publica, em sua página, postagens de fontes anônimas com informações confidenciais de governos ou empresas -, de um compromisso previamente assumido com o Governo do Equador, em dezembro do ano passado. O acordo determinava que Assange não emitiria qualquer mensagem envolvendo supostas ingerências em relação a outros Estados.



Apesar disso, o jornalista e ativista voltou a se pronunciar na última segunda-feira (26) sobre questões políticas relacionadas a outros países. No Twitter, o australiano chegou a criticar a decisão do governo britânico de expulsar diplomatas de Moscou que atuavam no reino Unido, tomada após o escândalo do envenenamento do espião russo Serguei Skripal e da sua filha.

"Apesar de ser razoável que Theresa May pense que o Estado russo é o principal suspeito, até agora as provas são circunstanciais", publicou Assange em seu Twitter. Tal comportamento foi avaliado pelo governo que concedeu asilo ao ciberativista como um risco às relações mantidas entre o Equador, o Reino Unido, o resto da União Europeia e das outras nações.

Entenda o caso Skripal

As autoridades britânicas atribuíram o envenenamento com gás neurotóxico do ex-espião russo Serguei Skripal aos serviços secretos de Moscovo, apesar do caso ter ocorrido na Inglaterra, no dia 4 de março deste ano. A acusação levou a uma crise diplomática entre o Reino Unido e a Rússia, seguida por mais de vinte países que também expulsaram agentes das embaixadas da Rússia dos seus territórios.