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Os Estados Unidos pretendem fazer do combate à corrupção um tema prioritário no encontro do presidente Donald Trump com líderes da América Latina, na próxima Cúpula das Américas, em abril.

O país anfitrião do evento, o Peru, acaba de ver seu presidente eleito, Pedro Pablo Kuczynski, renunciar ao cargo, sob suspeita de ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht – num desdobramento da Operação Lava Jato, que já rendeu acusações contra políticos e agentes públicos de pelo menos dez países da América Latina.



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De acordo com o Departamento de Estado americano, porém, a renúncia de PPK, como é conhecido o ex-mandatário, não comprometeu os preparativos para o evento. A Cúpula das Américas foi criada pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e ocorre periodicamente para debater as relações entre os países membros.



O governo dos EUA também reafirmou que Trump irá ao encontro -em sua primeira visita à América Latina desde que tomou posse, em janeiro de 2017. Segundo o Departamento de Estado, combater a corrupção é fundamental para promover a democracia na região e restaurar a confiança do público nas instituições, num entendimento que é compartilhado por outros países americanos.

A situação do Peru, de acordo com um membro da delegação norte-americana que irá ao encontro, apenas reforça a necessidade de se falar sobre o tema e de trabalhar em conjunto por governos mais transparentes e efetivos no combate a desvios.

Os EUA também pretendem fomentar a discussão entre empresários que comparecerem ao evento, estimulando que assumam posição no tema e ajudem a combater a "cultura de corrupção" vigente em alguns países.

O Departamento de Justiça americano foi um dos principais envolvidos na elaboração dos acordos de colaboração da Odebrecht e da Braskem, que admitiram pagar propina a agentes públicos de 12 países.

VENEZUELA E SEGURANÇA

A crise na Venezuela e a segurança, em especial por meio do combate a organizações criminosas transnacionais, serão outras prioridades do governo Trump na Cúpula das Américas. Para o Departamento de Estado, a situação da Venezuela é o item mais premente da cúpula, e exige que os países assumam responsabilidades conjuntas para dar apoio ao povo venezuelano e defender a realização de eleições livres no país, em maio.

Os EUA devem pressionar pela libertação de presos políticos pelo regime de Nicolás Maduro e pela participação da maior parte da população no processo eleitoral.

A questão da segurança, porém, foi apontada como a prioridade número um do país no encontro. Desde que assumiu, Trump endureceu as políticas imigratórias dos EUA e prometeu ampliar o muro na fronteira com o México, além de criar tarifas de importação e renegociar acordos comerciais com a região.

Isso fez com que a aprovação de Trump entre latinos tenha atingido um recorde mínimo de 16%, segundo pesquisa Gallup realizada no início do ano. O Departamento de Estado entende que a cúpula será uma oportunidade para que o presidente fique "frente a frente" com os líderes da região e reforce a parceria dos EUA com a América Latina, em especial na promoção da democracia e no combate ao tráfico e ao crime transnacional.

O governo dos EUA ainda não confirmou se Trump terá um encontro com o presidente brasileiro, Michel Temer, ou com outros mandatários. Com informações da Folhapress.