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Os 25 milhões de mexicanos que, segundo as estatísticas oficiais, se reconhecem como indígenas terão pela primeira vez uma representação mínima no Congresso.

Isso graças a uma "ação afirmativa" recém-aprovada pela autoridade eleitoral do país. O Conselho Geral do Instituto Nacional Eleitoral criou, no fim de 2017, uma medida que garante um número mínimo de 13 deputados federais indígenas – o que representa 2,6% dos 500 assentos da Câmara.



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A medida foi duramente criticada por alguns partidos que alegavam que ela "feria o princípio de autorregulação e autodeterminação" do Legislativo. No entanto, o Tribunal Eleitoral rejeitou as objeções, consideradas "infundadas".



Para a conselheira eleitoral Adriana Favela, uma das promotoras da reforma, a mudança "é de extrema importância, porque as comunidades indígenas devem estar totalmente representadas". Além disso, Favela apontou que esse "é um compromisso e uma dívida histórica com a população indígena".

Com a nova norma, os partidos e coalizões terão de ter candidatos de algum dos povos originários do México, para garantir que sempre haja indígenas no Congresso, independentemente de quem vença. Os promotores do projeto esperam que a abertura seja cada vez maior, afinal, há 28 distritos no país em que a maior parte da população é indígena.

No entanto, o sacerdote e ativista Blas Alvarado, que fugiu do estado de Chiapas, na fronteira com os Estados Unidos, por defender os direitos dos indígenas, declarou à ANSA que "as medidas não são suficientes porque não refletem a porcentagem da comunidade indígena". As eleições gerais no México estão marcadas para o dia 1º de julho de 2018. Com informações da ANSA.