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O deputado federal afastado Paulo Maluf (PP-SP) chegou nesta sexta-feira (30), a bordo de um Chrysler preto, em sua casa na região dos Jardins, na zona oeste de São Paulo, para começar a cumprir prisão domiciliar.

Ele passou "uma noite dramática", com agravamento de seu quadro de saúde, segundo seu advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.



Maluf estava internado num hospital em Brasília desde quarta (28), com fortes dores na lombar, após três meses e meio detido no Complexo Penitenciário da Papuda. Na tarde desta Sexta-Feira Santa, voou num jatinho com equipe médica para São Paulo.

De acordo com Kakay, Maluf não pôde embarcar numa UTI móvel, que o levaria direto para o hospital, pois não tem autorização judicial para tanto.



Na noite anterior, o parlamentar passou por uma "lavagem estomacal horrível", afirmou o advogado. Ele também precisa tomar injeção no olho, pois está ficando cego (já perdeu a visão de um deles), acrescentou. O parlamentar está usando cadeira de rodas.

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O defensor disse que voará de Paris, onde está, para a capital paulista na segunda-feira (2), para se encontrar com seu cliente. A ideia, contou por telefone, é fazer um requerimento ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, que concedeu a prisão domiciliar a Maluf, para saber quem será o juiz de execução penal. Assim poderá solicitar pedidos de exames para avaliar seu estado de saúde.

Em nota, a defesa de Maluf afirmou: "Ele ainda está debilitado. O ideal seria que ele fosse diretamente ao hospital para exames. Isto será requisitado ao STF e ao juiz responsável pela execução penal".

O deputado receberá médicos em sua casa, numa região que concentra a elite paulistana (o empresário e presidenciável Flavio Rocha mora a dois quarteirões, e Wesley Batista, da JBS, também é vizinho). Uma cesta de frutas foi entregue em sua residência, onde parentes já o esperavam.

Em maio de 2017, Maluf foi condenado pela primeira turma do STF a sete anos, nove meses e dez dias de prisão em regime fechado por crimes de lavagem de dinheiro. Ele também foi condenado à perda do mandato.

De acordo com a denúncia, enquanto era prefeito de São Paulo (1993 a 1996), Maluf ocultou e dissimulou dinheiro desviado da construção da avenida Água Espraiada (atualmente chamada de avenida Roberto Marinho).

Um homem gritou "ladrão sem vergonha" enquanto passava de bicicleta na frente do imóvel, um dos bens de Maluf bloqueado pela Justiça.

"Deixa o homem em paz, seus merdas", disse outro homem, de moto, dirigindo-se a jornalistas e fotógrafos que aguardavam a chegada do parlamentar. Quase bateu o veículo. Com informações da Folhapress.