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O desempregado Altivo Luiz da Silva Júnior, 37, há pelo menos cinco meses precisa viver com uma sacola plástica de supermercado presa ao abdômen, para coleta de urina e fezes. O material é fixado com cola instantânea que causa queimaduras na pele.

"Já fiquei até sem comer pelas dores da queimadura", conta. Altivo Júnior é um dos quase 2.000 pacientes de Pernambuco que estão desde novembro sem receber o kit com bolsas coletoras, placas, pomadas e adesivos.



O governo de Pernambuco não comentou sobre a falta dos materiais há cinco meses. Admitiu falha na licitação aberta em janeiro, que só conseguiu fechar contrato para comprar metade do volume necessário de kits. E que vai abrir nova concorrência, sem dizer prazo.

Enquanto isso, o governo não respondeu se irá socorrer de alguma forma quem precisa dos insumos. No mês passado, o defensor público da União, Geraldo Vilar entrou com uma ação civil pública contra a gestão do governador Paulo Câmara (PSB) exigindo o bloqueio de R$ 550 mil para a compra emergencial e uma indenização por dano moral coletivo. A ação ainda não foi julgada.



A ostomia ou estomia é uma intervenção cirúrgica que cria uma abertura no corpo permitindo que órgãos sejam externalizados, no caso da colostomia para a saída de fezes e urina. Em algumas situações, a operação é recomendada para auxiliar na respiração (traqueostomia) e na alimentação (gastrostomia).

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Há 12 anos vivendo nesta situação após um erro médico, a aposentada Maria Madalena Vasconcelos, 55, tem passado dias sem circular livremente devido à falta de bolsas. "Hoje dependo de doações. Quando não tem de jeito nenhum, coloco gazes e fico em casa. Se sair corro o risco do constrangimento [com algum acidente]."

Madalena é presidente em exercício da Associação dos Ostomizados de Pernambuco (Aoespe) que funciona no hospital Barão de Lucena, no Recife, única referência para esse tipo de paciente no Estado.

Especialista em cirurgia do aparelho digestivo há 33 anos e professor da Universidade de Pernambuco (UPE), Pedro Cavalcanti Albuquerque alerta para o risco de contaminação grave por bactérias que esses pacientes correm ao improvisar bolsas coletoras.

O médico disse ainda que muitos estão deixando de beber água, para evitar acidentes, e por isso se desidratam.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco admite a falha da licitação, de R$ 6,5 milhões, e diz que "um novo trâmite está em curso" -sem dar data.

A pasta informa que, apesar dos cinco meses sem fornecimento dos materiais para os pacientes, "não tem medido esforços" para abastecer o hospital Barão de Lucena.

Dos 44 lotes necessários, só 24 foram licitados. Os primeiros 11 começaram a ser distribuídos semana passada, diz a pasta. Esse volume porém, diz a associação, não atende nem a 10% dos pacientes.

Segundo a pasta, os lotes restantes "devem ser entregues pelos fornecedores nos próximos dias." Com informações da Folhapress.