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Marco histórico e turístico da capital paulista, o prédio do Pateo do Collegio, no centro, amanheceu com a sua fachada pichada, na manhã desta terça-feira (10).

A frase "Olhai por nois" com letras garrafais em vermelho tomou conta da fachada do museu de Arte Sacra e da capela São José de Anchieta, que pertencem à Companhia de Jesus, ordem religiosa dos jesuítas.



Segundo o diretor do Pateo, o padre Carlos Alberto Contieri, a pichação ocorreu por volta das 1h25 desta terça e foi tão rápida que o segurança do espaço não conseguiu chamar a polícia a tempo. "Tudo durou um minuto e meio. Quando o nosso segurança acionou a polícia, eles já tinham ido embora em direção à praça da Sé", disse.

O religioso contou que as imagens do circuito interno do complexo flagraram a participação de cinco suspeitos, entre eles, uma mulher. A pichação foi feita por um dos envolvidos, que se mostrou habilidoso no manuseio do spray de alta pressão -marcas de tinta atingiram as janelas do primeiro andar sem a necessidade de a edificação ser escalada.



Os demais suspeitos, segundo análise das imagens, fizeram a segurança do grupo. Já a mulher ficou no local apenas filmando a pichação. Moradores de rua, que lotam a praça do Pateo para dormir, foram desrespeitados, segundo o religioso. "Eles jogaram tinta em muitos deles que estavam dormindo".

O ato de vandalismo foi registrado no 8º DP (Brás) e, até esta publicação, nenhum dos envolvidos havia sido preso. As imagens serão encaminhadas à Polícia Civil e servirão de apoio para a identificação do grupo.

Pichar é crime no país. Quem for pego praticando o ato de vandalismo pode ser condenado entre três meses e um ano de prisão, de acordo com a lei de crimes ambientais.

Para o padre Carlos Contieri, que dirige o Pateo do Collegio há 12 anos, o vandalismo no prédio histórico é mais uma agressão à cidade. "Ele mancha o lugar do nascimento de São Paulo, fere a população e, ao mesmo tempo, usa de forma absurda uma frase religiosa para só agredir um dos espaços mais queridos de São Paulo."

A fachada do Pateo do Collegio passará por perícia ainda nesta terça. Só depois do procedimento, a direção do complexo poderá refazer a pintura com as tradicionais cores branco, na parede, e azul, nas janelas.

MARCO ZERO

O Pateo do Collegio está associado à fundação de São Paulo. O local escolhido para a construção do complexo foi estratégico porque é alto e era servido por dois rios importantes: Anhangabaú e o Tamanduateí.

Ali, os jesuítas decidiram criar um colégio para catequizar índios. A missa que marcou a abertura dessa pequena escola, em 1554, foi escolhida, anos depois, para marcar a fundação de São Paulo.

Dois séculos depois, os jesuítas foram expulsos do Brasil e o espaço do colégio virou sede do governo local –que funcionou até 1930. Por trás da parede branca em frente ao pátio, há uma paróquia e um museu.

O museu conta com coleções de peças de arte sacra, como crucifixos, oratórios e pias de água benta, além de pinturas dos séculos 17 e 18. No espaço ainda se pode ver, por fotos, mapas e maquetes, as mudanças arquitetônicas pelas quais São Paulo passou.

Já a paróquia guarda duas relíquias para os católicos: o fêmur e o manto do padre José de Anchieta (1534 -1597), canonizado em 2014 pelo papa Francisco. O espaço é tombado pelo Condephaat (conselho estadual de defesa do patrimônio histórico). Com informações da Folhapress.