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O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o republicano Paul Ryan, 48, anunciou nesta quarta-feira (11) que não buscará a reeleição nas próximas eleições legislativas, em novembro, e que vai se aposentar da vida parlamentar em janeiro, ao final de seu mandato.

Ele disse que vai deixar o Congresso porque quer passar mais tempo com sua família e não deu detalhes se vai permanecer na vida pública ou se ainda buscará outro cargo. Ryan disse que não quer que seus filhos adolescentes achem que ele é um "pai de fim de semana" apenas.



A saída de Ryan já era um assunto debatido há alguns meses em Washington e enfraquece ainda mais o Partido Republicano nas próximas eleições legislativas. A sigla teme perder o controle da Câmara para os democratas em meio a baixa popularidade de Donald Trump.

Caso a aposentadoria seja confirmada, será o fim da carreira de uma das principais lideranças republicanas, que foi candidato a vice-presidente em 2012 na chapa de Mitt Romney, que acabou derrotada por Barack Obama.



O próprio Ryan foi considerado por muitos anos como um futuro candidato republicano à Presidência, o que acabou nunca acontecendo.

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O anúncio foi feito por Ryan em um encontro a portas fechadas com parlamentares republicanos e logo depois confirmado por seus assessores. Testemunhas disseram que o deputado estava emocionado e teve que segurar as lágrimas durante o discurso.

"Esta manhã, o presidente Ryan compartilhou com seus colegas que este será seu último ano como membro da Câmara. Ele vai cumprir seu mandato e depois vai se aposentar em janeiro", afirmou Brendan Buck, um de seus conselheiros, em nota.

"Depois de quase 20 anos na Câmara, o presidente se orgulha de tudo o que conseguiu e está disposto a dedicar mais tempo a ser marido e pai", disse o comunicado.

Na sequência, o deputado avisou outras lideranças do partido, incluindo o vice-presidente Mike Pence e o próprio Trump, com quem teve uma relação de altos e baixos, antes de dar uma entrevista coletiva.

Já no comando da Câmara, Ryan demorou a declarar apoio a Trump após este vencer a disputa para ser o candidato republicano em 2016 -o endosso aconteceu apenas em junho. Os dois, porém, se tornaram aliados durante a discussão de uma reforma tributária, assunto que se tornou uma das prioridades do presidente e do qual o deputado era um defensor há anos.

A aprovação do projeto acabou se tornando a maior vitória legislativa de Trump e o auge da carreira de Ryan.

Trump usou as redes sociais para parabenizar o deputado por seu trabalho. "Paul Ryan é um homem verdadeiramente bom e, embora não vá buscar a reeleição, deixará um legado de realizações que ninguém pode questionar".

Liberal Ryan chegou a Câmara dos Representantes em 1998, aos 28 anos, representando o 1º distrito de Wisconsin e venceu as nove eleições seguintes para permanecer no cargo.

Formado na Universidade de Miami em Ohio em economia e política, ele é considerado um conservador clássico, que tinha como principal influência nomes importantes do pensamento liberal, como o economista Milton Friedmann e a filósofa e escritora Ayn Rand.

Apesar disso, era considerado um deputado com bom trânsito com a oposição. Em 2013, em parceira com o senador democrata Patty Murray, negociou um acordo bipartidário que pôs fim a disputa orçamentária entre republicanos e democratas.

O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, elogiou Ryan nesta quarta após o anúncio da aposentadora e o descreveu como "um bom homem que é sempre fiel à sua palavra".

Schumer disse esperar que, nos meses que lhe restam no Congresso, Ryan "se libere das facções duras de direita de sua bancada, que impediram que o Congresso concretizasse coisas".

Foi essa capacidade de diálogo com diferentes facções que levou Ryan ao comando da Câmara em 2015, após o então presidente da Casa, John Boehner, anunciar sua aposentadoria por pressão das alas mais conservadoras do partido republicano.

Ryan, inicialmente reticente em ocupar o cargo, acabou aceitando a indicação após um compromisso das diferentes alas do partido em apoiar seu nome.

Com sua saída, a disputa pela liderança republicana na Câmara dos Representantes deve ficar aberta, com Kevin McCarthy e Steve Scalise vistos como os principais candidatos para o posto. Com informações da Folhapress.