COMPARTILHAR

O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, disse nesta quinta-feira (12) que não reconhecerá as eleições presidenciais na Venezuela e chamou de arbitrária e incompreensível a crise diplomática com o país caribenho.

O conflito começou quando o governo panamenho incluiu o ditador Nicolás Maduro e outros 54 chavistas na lista de risco para lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo do país centro-americano, um paraíso fiscal.



"Apoiei Maduro em diversas ocasiões em que muitos estiveram contra ele, durante a crise do plebiscito revocatório", afirmou Varela, em alusão à tentativa opositora de interromper pelo voto o mandato de Maduro em 2016.

"Também o recebi na última Cúpula das Américas [que foi no Panamá, em abril de 2015] e ofereci ajuda em termos de abastecimento de alimentos e remédios. E agora não compreendo porque ele toma essa atitude."



Em retaliação, Caracas proibiu transações com Varela, políticos e empresas panamenhas, além de suspender por 90 dias a Copa Airlines, que até sexta (7) a principal companhia aérea a ligar a Venezuela ao resto da América Latina.

O cancelamento abrupto provocou protestos de venezuelanos que queriam deixar o país. Os dois países tiraram os embaixadores e, nesta semana, o Panamá proibiu voos das companhias venezuelanas.

+ Reino Unido autoriza May a 'tomar medidas' contra Síria

Para Varela, o Panamá tem a vocação de ser um "país de conexão, de encontro, e o fato de nossos voos conectarem vários países da região é um motivo de orgulho para nosso povo, queremos mais integração, não isolacionismo", e que por conta disso "não entende como Maduro pode impedir que se viaje desde o Panamá a Venezuela".

O presidente acrescentou que essas medidas afetam em primeiro lugar "o próprio povo venezuelano, e o presidente Maduro deveria pensar nisso, porque são muitas as famílias que não estão podendo se reencontrar, alimentos e remédios que não estão chegando a quem precisa".

"Mais uma vez estamos vendo o presidente Maduro tomar decisões que afetam o seu próprio povo. E nós somos amigos do povo venezuelano, não queríamos que isso estivesse acontecendo." Com informações da Folhapress.