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Os tentáculos da Rússia nas eleições americanas e dúvidas sobre a relação suspeita de Donald Trump com o Kremlin dominaram a sabatina de Mike Pompeo, indicado pelo presidente para assumir o comando da chancelaria do país, em Washington.

Diretor da CIA, o serviço de inteligência americano, Pompeo disse antes das primeiras perguntas dos senadores que "a lista de ações desta administração para aumentar os obstáculos para Vladimir Putin é longa" e que os Estados Unidos expulsaram mais diplomatas e agentes russos do país sob Trump do que em qualquer outro momento desde a Guerra Fria.



Ele acrescentou que a estratégia de segurança nacional de Trump identifica a Rússia como um "perigo para o nosso país". Mais tarde, também disse acreditar que Moscou interferiu nas eleições americanas.

Leal a Trump, afirmou que o presidente nunca pediu que ele fizesse nada "inapropriado", mas admitiu ter conversado com Robert Mueller, o procurador especial responsável pela investigação sobre as relações do republicano com a Rússia.



A demissão do procurador vem sendo discutida pelo presidente reservadamente e se tornou uma possibilidade mais palpável quando Mueller autorizou operação de busca e apreensão no escritório de Michael Cohen, advogado pessoal do republicano.

Pompeo não quis comentar se Trump teria ou não autoridade para mandar Mueller embora.

RÚSSIA E SÍRIA

Sobre a relação conturbada entre Washington e Moscou, o futuro secretário de Estado disse que os problemas são causados pelo "mau comportamento" dos russos, e não por americanos. Segundo ele, os EUA devem ajudar a Ucrânia, que teve uma parte de seu território anexada pela Rússia, a preservar sua soberania.

O candidato ao comando da chancelaria, criticado por alguns senadores por ter um "histórico antimuçulmano", também comentou os planos dos EUA para a Síria um dia depois de o presidente ter ameaçado atacar a região com "mísseis espertos".

Pompeo afirmou que o "objetivo é chegar a uma solução diplomática para que haja mais estabilidade", vislumbrando uma "Síria pós-Assad algum dia", confirmando o interesse americano em derrubar o ditador no comando do país em guerra há sete anos.

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Apesar de defender uma saída diplomática no Oriente Médio, Pompeo não descartou a possibilidade de uma intervenção militar na Coreia do Norte, sinalizando que os EUA poderão ir além da diplomacia contra o regime de Kim Jong-un.

"O presidente já deixou claro, e concordo com ele, que pode chegar o dia em que eles tenham um arsenal nuclear capaz de atingir os Estados Unidos da América", disse. "Sua intenção é evitar que isso aconteça e, nesse sentido, ferramentas diplomáticas poderão fracassar."

Sobre a possibilidade de um encontro entre Trump e Kim, anunciado há um mês, Pompeo afirmou que a "Coreia do Norte não deve esperar recompensas de conversas com os Estados Unidos até que dê passos irreversíveis para desistir de ter armas nucleares". Com informações da Folhapress.