COMPARTILHAR

A amizade do presidente Michel Temer com o coronel João Baptista Lima Sobrinho, preso na Operação Skala, está rendendo muitas desconfianças sobre o emedebista. A mais recente ligação de Temer com os alvos da polícia é o contador da Argeplan, empresa de arquitetura de Lima, Almir Martins Ferreira. Ele assinou as contas da campanha a deputado federal de Temer, em 1994.

Tudo começou quando o executivo do grupo J&F, Ricardo Saud, delatou que o presidente pediu que ele entregasse R$ 1 milhão em espécie ao coronel Lima. O dinheiro, segundo Saud, foi levado para a sede da Argeplan. Temer nega.



Conforme apurado pelo O Globo, o contador prestou serviços para a empresa do coronel três anos após a campanha de 1994. Em 1997, ele assinou como testemunha o contrato de sociedade entre Carlos Alberto Costa e Maria Eloisa Brito Neves, da Argeplan. Em 2003, Ferreira foi novamente testemunha no contrato da PDA Projetos, empresa do coronel Lima e da mulher dele, Maria Rita Fratezi.

+ Pré-candidatos ao Planalto somam mais de 160 investigações



Atualmente, Ferreira é dono de duas empresas, a MF Serviços Contábeis e a Atual Serviços de Contabilidade. Ao se dirigir para os endereços onde estão registradas, a reportagem não constatou qualquer empresa atuando no local. Em um dos locais, em Poá, na Região Metropolitana de São Paulo, mora a filha de Ferreira. E no outro, em São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital, a moradora disse não conhecer o contador. Ferreira também é gerente delegado da consultoria de gestão Eliland, com sede no Uruguai.

Ferreira não foi localizado pelo O Globo. Funcionários da Argeplan não quiseram falar sobre o caso.

A Operação Skala investiga se Temer editou um decreto para favorecer empresas que atuam no porto de Santos em troca de propina.