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Pouco mais de 15 dias após prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, detido na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), a possibilidade de ele ser transferido continua dividindo a opinião de seus aliados.

Muitos estão preocupados com o isolamento do ex-presidente, que ocupa uma "sala especial" do prédio, sem contato com os demais detidos, entre eles o ex-ministro Antonio Palocci e o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, ambos delatores de Lula.



Para alguns amigos, o ex-presidente passará a ser visto como mais um preso, se for levado para o sistema carcerário comum, o que poderia enfraquecer sua defesa pública. Além disso, a permanência na PF mantém a aparência de provisoriedade e excepcionalidade da situação.

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Desde que chegou ao local, Lula mudou a rotina da corporação e também dos moradores das áreas próximas. Até mesmo um acampamento foi montado por militantes, que passam dia e noite no local, em apoio ao ex-presidente. A eles ainda somam-se os jornalistas nacionais e internacionais que trabalham na cobertura do caso.

Todas as mudanças levaram policiais federais a procurarem o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância. Eles pediram que Lula fosse transferido para outra unidade prisional, de preferência fora do perímetro urbano.

Moro, segundo a Folha de São Paulo, manifestou disposição em deixá-lo onde está por mais um tempo. Mas uma mudança não está descartada.

Já o diretor do Departamento Penitenciário do Paraná, Luiz Alberto Cartaxo Moura, ainda segundo a Folha, chegou a se pronunciar sobre o assunto e disse que o sistema está pronto para receber o ex-presidente. Afirmou, ainda, que há um lugar já reservado para Lula, no Complexo Médico Penal em Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR).

Lá já estão presos da Lava Jato, a exemplo do deputado cassado Eduardo Cunha e do ex-tesoureiro João Vaccari Neto.