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Uma longa jornada terminou com uma porta fechada. Os migrantes da América Central que rumaram em caravana até a fronteira com os Estados Unidos ao longo do último mês estão barrados do lado de fora do país enquanto esperam uma audiência com as autoridades americanas.

Mas esse encontro parece cada vez mais improvável. Guardas no ponto de entrada de San Diego, na Califórnia, dizem que os postos ali atingiram capacidade máxima e não é possível processar mais pedidos de asilo no momento.



Enquanto isso, centenas de imigrantes, a maioria mulheres e crianças vindas de Honduras e de El Salvador, países abalados por uma escalada de violência, vêm passando as noites em abrigos ou dormindo no chão diante da cerca na divisa com o México.

Seguidos por câmeras de televisão ao longo de todo o trajeto, os migrantes da chamada caravana despertaram a ira do presidente Donald Trump, que vem usando o episódio para pedir mais dinheiro do Congresso para a construção do muro na fronteira que prometeu em sua campanha vitoriosa pela Casa Branca.



Trump chegou a ameaçar paralisar o governo mais uma vez em setembro caso parlamentares não aprovem os gastos para reforçar as barreiras.

"Vocês estão vendo essa bagunça que está acontecendo com a caravana vindo para cá? Nossas leis são tão fracas, são patéticas", disse o presidente no fim de semana, discursando para um grupo de apoiadores. Depois, na Casa Branca, Trump lembrou que está mandando homens das Forças Armadas para a divisa.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, também foi até a fronteira, onde disse que esses migrantes são vítimas da exploração de ativistas políticos e de uma "mídia enviesada".

"Homens, mulheres e crianças como os que estão hoje reunidos na nossa fronteira são explorados por traficantes de pessoas e cartéis de drogas que se aproveitam do sofrimento deles para enfraquecer nossas leis e garantir lucros", afirmou Pence a jornalistas.

Qualquer migrante que provar que está fugindo de violência em seu país pode pedir asilo em solo americano, mas o presidente e outros que exigem leis mais duras anti-imigração vêm chamando todos de ilegais e lembrando casos de violência de gangues como a MS-13, grupo surgido em El Salvador, para voltar a opinião pública contra o movimento.

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Nesse ponto, a estratégia de organizadores da chamada caravana é usar uma linguagem que Trump, ex-apresentador de "O Aprendiz", conhece bem. Ao transformar o cortejo em "reality show", chamando a atenção máxima dos canais de notícias que o presidente gosta de ver, eles levaram o tema ao topo de um debate cada vez mais incendiário.

Imagens de mulheres segurando bebês e de homens hasteando bandeiras de seus países no alto da cerca que separa o México dos Estados Unidos turbinaram não só o ódio do presidente mas também uma onda de simpatia de ativistas do outro lado da fronteira.

Em Los Angeles e outras cidades, há uma série de simpatizantes que oferecem suas casas para abrigar os migrantes. Com informações da Folhapress.