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O ex-governador Jaques Wagner admitiu, nesta terça-feira (1º), a hipótese de o PT não ser cabeça de chapa nas eleições presidenciais e ocupar a vice caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer ao Palácio do Planalto.

Questionado, Wagner se disse à vontade para discutir a hipótese de se aliar ao pedetista Ciro Gomes, por ter sido entusiasta de uma aliança quando Eduardo Campos estava vivo.



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"Sou suspeito nesta matéria porque sempre defendi que, após 16 anos, estava na hora de ceder a precedência. Sempre achei isso. Não conheço na democracia ninguém que fique 30 anos. Em geral fica 12, 16, 20. Defendi isso quando o Eduardo Campos ainda era vivo. Estou à vontade neste território", afirmou.



Além da possibilidade de apoio a Ciro, Wagner defendeu também abertura de diálogo com o ex-ministro Joaquim Barbosa, potencial candidato do PSB.

O ex-governador da Bahia recomendou, porém, calma antes de qualquer decisão. E ressaltou: "O problema é que a prisão do Lula nos coloca numa posição de resistência. Não posso dizer hoje que estou abrindo para qualquer um. É dizer o quê? Lula, tchau e bênção? Então a situação é complicada", justificou.

Embora considere Barbosa um outsider, Wagner defendeu um diálogo com o ex-ministro do STF. "Acho que o PT tem que buscar o diálogo com os partidos que sempre defenderam um Brasil democrático, popular, progressista e com distribuição de renda."

Ele inclui na lista a pré-candidata do PC do B, Manuela D'Ávila (RS).

"O Ciro eu sei mais ou menos o pensamento dele, a Manuela eu sei mais ou menos o pensamento dela, o Joaquim está começando a apresentar o seu pensamento. Óbvio que de todos que eu falei o Joaquim é o mais outsider. Nunca foi uma pessoa dedicada propriamente à política", afirmou.

As declarações foram dadas minutos antes de Wagner subir o palanque do ato organizado por sete centrais sindicais pela libertação de Lula.

O ex-ministro insistiu que o PT vai sustentar a candidatura de Lula até que ele esteja interditado definitivamente.

Ele repetiu ainda que essa não era uma exclusividade petista. "Quem é que tem algum candidato a presidente da República? Ninguém. É uma situação inédita no Brasil. Não tem o porquê desta agonia."

O ex-ministro defendeu o canal de negociação aberto pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). "O Haddad teve uma conversa sobre a economia brasileira e acharam que era sobre política eleitoral no estrito senso."

Sobre a possibilidade de ele próprio concorrer, Wagner afirmou: "Não coloco meu nome em hipótese alguma à disposição neste momento. E não adianta perguntarem 'e no próximo momento?'. Não estou trabalhando com o próximo momento."

Com informações da Folhapress.