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Apesar de o MDB de Minas Gerais ter deliberado em votação interna nesta terça (1º) por lançar uma candidatura própria ao governo do estado, alguns deputados ainda creem ser possível manter a atual aliança com o PT para a reeleição de Fernando Pimentel.

A maior parte dos deputados estaduais e federais não esteve presente na votação, evidenciando o racha no MDB. O evento foi articulado pelo presidente do partido em Minas e vice-governador, Antônio Andrade. Ele é rompido com Pimentel e pregou que os emedebistas se afastem do governo.



Para os deputados, porém, a coligação com os petistas pode garantir mais cadeiras na Câmara Federal e na Assembleia. Por isso, a validade da decisão de terça é questionada.

"Essa reunião é um sentimento do partido e não uma decisão de fato, até porque a decisão tem que ser tomada, pelas regras eleitorais, na convenção partidária em julho", disse o deputado estadual Tadeu Leite (MDB).



Ele não estava presente na votação. Segundo Tadeu, a ausência dos deputados foi uma coincidência, já que era feriado de 1º de Maio e muitos estavam visitando suas bases eleitorais no interior do estado.O deputado diz que, pelo interior, nota-se a intenção dos emedebistas de terem um candidato próprio e que o partido trabalha para isso, mas que a votação interna não é a palavra final.

"A prévia não tem nenhum respaldo nem pelo estatuto e nem por uma questão jurídica. Foi um movimento político, na verdade, do que uma decisão."

O presidente da Assembleia, deputado estadual Adalclever Lopes (MDB), também não estava presente embora seja um dos nomes alçados como pré-candidato ao governo. Ele é o principal fiador da aliança com os petistas e dá sustentação ao governo Pimentel no Legislativo.

Seu último movimento, porém, colocou sua fidelidade em dúvida. Depois de ver seu posto de candidato ao Senado ameaçado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ele autorizou um pedido de impeachment contra Pimentel.

Nesta quarta (2), a tramitação foi suspensa para que a Mesa Diretora analise nulidades apontadas por deputados petistas.

Mesmo com o cenário de crise entre os aliados, deputados federais presentes na votação do MDB não descartaram aliança com o PT. "Com a chegada de Dilma, Pimentel vai ter que fazer mais esforço para ter essa aliança. Mas eu acho que nada é definitivo até julho", disse o deputado federal Saraiva Felipe (MDB-MG).

Em sua opinião, o que vale é a convenção de julho e até lá tudo pode mudar. O colega Leonardo Quintão (MDB-MG) afirmou que todos os partidos são bem-vindos em chapa com o MDB.

PETISTAS

Para o líder de governo, deputado estadual Durval Ângelo (PT), a decisão do MDB por candidatura própria não tem validade e foi jogo de cena.

O deputado estadual Rogério Correia (PT) também não acredita que tenha havido um rompimento. "A grande maioria dos deputados nem sequer estava lá. Então foi mais um ato do Antônio Andrade, eu digo até de desespero, do que realmente uma convenção do MDB."

"O que ele quer fazer é um jogo de Aécio [Neves] e [Antonio] Anastasia para entregar ao PSDB de bandeja o governo de Minas. Acho que não é o desejo do povo mineiro e nem do MDB. Então, não acredito que essa vontade dele prevaleça dentro do MDB", completou. Com informações da Folhapress.