COMPARTILHAR

O ator Nobu Kahi, de 31 anos, denunciou ter sofrido assédio moral, racismo e falta de pagamento para aparecer em uma propaganda do governo federal sobre a queda do desemprego.

Na peça publicitária, Kahi é "Pedro", um trabalhador da indústria que está satisfeito com a retomada da atividade econômica. Na vida real, o ator diz ter feito os testes e gravações em março, sem receber "nem um centavo" até agora.



O trabalho deveria render cachê de R$ 1 mil caso fosse veiculado. No entanto, quando a propagando finalmente foi ao ar, na última semana de abril, o produtor avisou que o cachê tinha diminuído para R$ 600, sem dar nenhum motivo. Ele também foi avisado de que o pagamento só seria feito dali a 90 dias, sendo que a condição não tinha sido acertada antes do trabalho.

+ Justiça determina prisão de Carlinhos Cachoeira condenado por fraude



"É um desrespeito enorme. Eu tenho o contrato aqui, dizendo que o cachê seria R$ 1 mil – que já é um valor muito abaixo da média do mercado. E em nenhum momento disseram que o pagamento seria depois de três meses", contou ele, em entrevista à BBC Brasil.

O ator também disse que horários de gravação foram desrespeitados e que o diretor o chamava de "japa". "Já no teste ele ficava me chamando de 'japa', de um jeito pejorativo, fazendo piadas infames e sendo muito preconceituoso. Nunca me senti mal de me chamarem da japa, mas ele me tratou de um jeito horrível, me transformou em motivo de chacota no set", relembra.

Kahi afirma ter trabalhado muito mais horas do que o combinado. A primeira (gravação) depois do teste foi marcada para as 14h. Gravei até as 5h da madrugada. O tempo inteiro sofrendo assédio do diretor", diz.

Procurado, o marqueteiro do presidente Michel Temer, Elsinho Mouco, minimizou o caso. "Me parece que é discussão de um figurante com a agência de modelos… discutindo o valor da comissão sobre o cachê. Mais tarde vou ter a história real", respondeu ele à reportagem. Após a publicação da matéria, o ator revelou ter sido contactado pela agência Calia Y2, responsável pela gravação, para pagamento.

O Palácio do Planalto e a própria Calia Y2 não responderam aos pedidos de reportagem.