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Depois de sofrer boicote do presidente Michel Temer em acordo com caminhoneiros, o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), responsabilizou a falta de didatismo do governo federal pela continuidade da greve.

O governador afirmou que ouviu três pedidos dos grevistas que, se atendidos, serão suficientes para desmobilizar a greve em três horas.



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O primeiro é que o governo esclareça em uma tabela o valor do frete mínimo aprovado em medida provisória por subcategoria como os que transportam por carreta ou basculante.



O segundo pedido é que o desconto de R$ 0,46 seja fixado em cima do preço do litro do diesel do sábado (19), anterior ao início da greve, que era de R$ 3,59 em São Paulo.

O terceiro pleito é a anistia de multas e pontuações nas carteiras de habilitação dos grevistas.

"O caminhoneiro tem que ser convencido a entrar de volta na boleia e fazer o seu serviço e só será convencido se tiver esclarecimento. Hoje eles não estão esclarecidos. A sensação que eles têm é que nós estamos empurrando para poder resolver a situação da gente e eles vão continuar com o problema deles", criticou França nesta segunda (28).

"Claro, há desconfiança. Já é difícil confiar em político, quanto mais nessa circunstância", disse após se reunir de novo com grevistas no Palácio dos Bandeirantes.

Candidato à reeleição desconhecido da população, França tenta ocupar um vácuo do poder político nas negociações. A tentativa de acordo de Temer da semana passada fracassou, e as novas medidas anunciadas pelo governo federal ainda não foram suficientes para desmobilizar por completo a greve.

"Alguém precisa destravar esse negócio. Se não tiver paciência de dialogar, [não avança]", constatou.

No domingo (27), Temer boicotou o acordo que o governador paulista costurava em estágio avançado com os caminhoneiros. Deixou de garantir o congelamento do preço do diesel por 60 dias, medida que ele próprio anunciou horas depois na televisão.

França cutucou Temer, que não retornou seus telefonemas ao longo de toda a segunda. "Vou ligar para o presidente. Espero que a gente tenha mais sucesso dessa vez", disse em entrevista a jornalistas. Com informações da Folhapress.