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Ao menos 1 em cada 4 postos da cidade de São Paulo já tem combustíveis para oferecer ao consumidor nesta quarta-feira (30), segundo estimativa do Sincopetro (entidade que representa os donos de postos no estado). A capital paulista tem cerca de 2.000 estabelecimentos.

Apesar da retomada aos poucos do abastecimento, iniciada nesta terça (29) com a desmobilização dos protestos dos caminhoneiros, a saída do paulistano neste feriado prolongado de Corpus Christi, rumo ao litoral e ao interior do estado, ainda deve ser motivo de preocupação.



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Segundo José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro, o ritmo do abastecimento no interior e no litoral é mais lento, se comparado ao da capital. Quem decidir pegar a estrada pode até chegar ao destino, mas o problema pode estar na hora de encher o tanque para o retorno. "As cidades do litoral e do interior estão mais distantes dos centros de distribuição. O combustível já está chegando nessas regiões, mas em uma velocidade bem mais lenta."



A gasolina, o diesel e o etanol que têm chegado às bombas continuam sendo transportadas com mais agilidade pelas distribuidoras e por motoristas contratados pelos donos dos postos. Agora, com mais caminhoneiros autônomos rodando na cidade, o Sincopetro prevê que a situação do abastecimento volte ao normal até meados da próxima semana. "Projetamos que na quarta-feira da semana que vem a população de São Paulo terá combustível à disposição", diz.

CORRIDA AOS POSTOS

Dos cinco postos visitados pela reportagem na manhã desta quarta na zona oeste da capital, apenas um tinha gasolina. Na rua Artur de Azevedo, em Pinheiros, o posto na esquina com a rua Lisboa está sem combustível desde quinta passada (24). Na Henrique Schaumann, o posto na esquina da Teodoro Sampaio também estava seco.

No dia anterior, o posto foi abastecido e uma fila se formou por quatro quarteirões. "Chegou 13h e acabou meia-noite. Agora não tem previsão de chegar", diz o frentista José Reinaldo.

Na Sumaré, esquina com a rua Franco da Rocha, o carregamento que chegou na terça acabou no mesmo dia. "Está normalizando, mas a base está muito lotada de pedidos. E a ansiedade do povo atrapalha, teve gente que estava com tanque quase cheio e esperou 4h para colocar só 10 litros, é o desespero", afirma o proprietário do posto, Rogério, que não quis dar o sobrenome.

Ainda na Sumaré, nesta manhã, dezenas de carros aguardavam para abastecer no posto, no número 1549. "Esperei 40 minutos, mas ontem peguei fila por 4 horas", afirma o taxista Márcio de Almeida, 59. O gerente do posto, Renato, diz que o abastecimento "está se normalizando, mas as pessoas precisam ter calma". "Chegou às 7h e vai ficar com fila o dia todo", afirma ele, que não quis informar o sobrenome.

Na rua Minerva, na esquina com a Sumaré, só havia etanol, mas a fila também estava enorme. O dono do posto nega que o abastecimento tenha sido retomado. "Não está nada normalizado, está muito difícil. Amanhã é feriado nas bases e, com a greve dos petroleiros, não sei se eles vão trabalhar", diz Luís Mikui, 61, que se diz "muito preocupado".

Na região central, a situação é similar. O posto da rua Rafael de Barros, no Paraíso, está seco desde esta quinta. Já o da rua Vergueiro, 1648, a gasolina chegou por volta de meio-dia.

O administrador Márcio Pereira encheu um galão de cinco litros para tentar mover o carro, que morreu ao lado do aeroporto de Congonhas. "Meu amigo tem combustível e vai me levar. O carro está parado desde sexta lá". Ele pagou R$ 27 pelo galão cheio.

O fisioterapeuta Osvaldo Beltramini Jr. deu sorte. Estava passando pelo posto e entrou, pouco depois da gasolina chegar. Mesmo com o tanque cheio, Osvaldo não vai arriscar viajar neste feriado. "Eu ia para Santa Catarina, visitar a minha mãe, porque é aniversário dela, mas não vou mais. Acho que não teria como abastecer para voltar", afirma.

TRÂNSITO

Para a viagem não sair frustrada, a recomendação é que o viajante procure informações sobre a disponibilidade de combustível na cidade na qual vai passar os dias de descanso.

A expectativa é de que o trânsito nas rodovias paulistas seja bem menor em comparação com feriados passados. Mas, desta vez, as concessionárias não conseguem estimar o tamanho do tráfego e quais horários serão mais congestionados, já que a atual crise de abastecimento não tem precedente recente.

Acompanhe aqui as condições do trânsito em tempo real nas principais estradas que passam pelo Estado de São Paulo.

Para agilizar a distribuição de combustíveis, as três distribuidoras de combustíveis do país solicitaram ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorização para atuar em conjunto para tentar agilizar a retomada do abastecimento. O objetivo é negociar o compartilhamento de infraestrutura logística e estoques sem risco de ação por cartel no futuro.

A autorização foi concedida em caráter emergencial, pelo período de 15 dias, no qual as empresas terão que priorizar serviços públicos essenciais, como saúde e segurança pública. As empresas poderão criar centros integrados de logística para gerenciar em conjunto estoques e frotas de abastecimento. Com informações da Folhapress.