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A paralisação de caminhoneiros na Régis Bittencourt, na região próxima a Embu das Artes (SP), se esvaziou em cerca de vinte minutos com a presença da quinta seção da 12 brigada do exército, incluindo veículos e um helicóptero, na manhã desta quarta-feira (30). Sobrou, na manifestação, um grupo pequeno de caminhoneiros.

Mais cedo, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) havia alertado os caminhoneiros de que a tropa de choque e o Exército estavam a caminho para retirar manifestantes à força, com utilização de armas de efeito moral.



Muitos caminhoneiros queriam partir e aproveitaram a brecha. Eles estavam sendo ameaçados por ações de vandalismo e ainda temiam serem parados em outros pontos de paralisação nas estradas.

Um grupo de caminhoneiros que estava parado próximo ao quilômetro 162 da Via Dutra, em Jacareí (SP), também começou a deixar o local na manhã desta quarta após a chegada de soldados do Exército.



A concessionária da rodovia informou que tropas da PRF e do Exército estavam a caminho para auxiliar quem desejasse sair.

"A CCR NovaDutra informa que tropas do Exército Brasileiro, da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal estão presentes nos pontos de manifestação da Rodovia Presidente Dutra dando apoio aos caminhoneiros que desejam deixar os locais para seguirem viagem. Até o momento não houve registro de nenhuma resistência dos grupos", diz nota da concessionária.

O ponto era o principal local de paralisação na rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e tinha, segundo estimativas dos próprios caminhoneiros, 5.000 veículos.

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As tendas que serviam de apoio, com café é comida, foram desmontadas por volta das 9h. Uma grande fila de caminhões se formou dos dois lados da rodovia, com centenas de veículos deixando o local.

A negociação com os militares, que estão desde às 5h na estrada passando pelos pontos onde há caminhões parados, foi rápida.

Os caminhões saíram sem comboio após os militares afirmarem que a Dutra está toda segura.

Os militares disseram que estão fazendo a segurança nos pontos onde os caminhões estão parados da Via Dutra, para que não ocorra agressões. Inicialmente, afirmaram que não vão usar a força.

Os caminhoneiros comemoraram a liberação e disseram que não aguentavam mais o martírio do protesto. Muitos se abraçaram e houve gritos de "vou para casa".

Alguns, porém, expressaram medo de que nas estradas menores ainda existam bloqueios e afirmaram que pretendem continuar parados até o clima melhorar.

Um pequeno grupo de caminhoneiros, com 20 pessoas, criticou os colegas que deixavam o local. Eles afirmaram que o protesto deveria continuar tendo como tema a prisão de políticos corruptos e a intervenção militar.

Muitos reclamaram que a população não foi para as ruas e que preferiu encher o tanque de seus carros com gasolina a se juntar a paralisação.

Segundo eles, a decisão de sair aconteceu por "ordem de cima", em referência aos empresários do setor. Afirmaram ainda que na noite de terça-feira (29), houve ameaças de que o Exército atacaria o local e que isso teria incentivado a saída da maioria do grupo.

Pouco depois, porém, eles mesmos entraram em seus caminhões para deixar o local. Alguns prometeram deixar os veículos parados em casa. Com informações da Folhapress.