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No décimo dia de manifestação e sob reclamações de cansaço, caminhoneiros deixaram nesta quarta-feira (30) pontos nevrálgicos da paralisação em rodovias pelo país. Houve episódios de violência e um caminhoneiro morreu.

A saída das rodovias ocorreu após ação do Exército e da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Segundo o governo, às 19h, haviam 197 pontos de concentração de caminhoneiros pelo país –na terça-feira (29), eram 613.Não houve confronto entre militares e motoristas, mas atritos entre os motoristas.



Em Vilhena (RO), José Batistella, 70, foi atingido na cabeça por pedras que quebraram o para-brisa do caminhão -socorrido, ele não resistiu.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que o episódio é um "exemplo trágico da violência".



"Isso é desnaturar um movimento que começou com reivindicações justas e em sua integralidade atendidas pelo governo", disse.No km 282 da Régis Bittencourt, em São Paulo, um caminhão tombou após, segundo o motorista, ter sido atingido por uma pedra.

"O Exército parou e liberou tudo. Um pouco à frente, um motoqueiro jogou pedras, eu fui desviar e não consegui mais trazer [o caminhão] para a pista", disse Paulo Ricardo Florentino, 28.

Uma equipe da EPTV São Carlos foi agredida na Via Anhanguera, em Leme (SP).A repórter Patrícia Moser conseguiu fugir e foi amparada por moradores. O cinegrafista Marlon Tavoni e o auxiliar Janesi Rigo acabaram encurralados em uma passarela.

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O equipamento foi destruído e o carro teve vidros quebrados e pneus furados.

"Esse revoltante ato de selvageria, além de atentar contra a integridade física de profissionais que estavam exercendo sua atividade e de destruir propriedade alheia, busca impedir que as informações cheguem aos cidadãos", disse a ANJ (Associação Nacional de Jornais), que exigiu apuração do caso e punição dos responsáveis.

Armados com fuzis e metralhadoras, cerca de 600 militares participaram da operação. Eles chegaram em caminhões, jipes e outras viaturas leves e tinham apoio de helicópteros.

Os militares estavam desde às 5 horas nas estradas para apoiar a liberação. Motoristas relataram estar ali por coação.A estratégia para fazer com que eles permanecessem incluía murchar pneus e vandalizar veículos. No principal ponto de bloqueio na Via Dutra, em Jacareí, caminhoneiros deixaram o local aos gritos de "vou para casa".

Com a saída, dos 5.000 caminhões que estavam no local na terça-feira (29), restaram apenas quatro.Em Miracatu, a 137 km de São Paulo, caminhoneiros permaneceram estacionados até as 15h, preocupados com os relatos dos colegas de que havia paralisações no Sul.

Apesar da saída em massa tanto na Régis quanto na Dutra, nem todos os caminhoneiros disseram que iam voltar imediatamente ao trabalho.Alguns contaram à reportagem que pretendem buscar um posto com melhor estrutura, como chuveiro, e devem esperar até sexta-feira (1°) antes de seguir viagem.

Houve ação do Exército em ao menos outros cinco estados: Paraná, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Paraíba.

Pela via judicial, o STF (Supremo Tribunal Federal) mandou 96 transportadoras pagar R$ 141,4 milhões, em 15 dias, em multas por não liberarem as estradas."

Vale a pena enfatizar que a sanção pecuniária, nestes casos, surge como importante instrumento de coerção colocado à disposição do magistrado", escreveu o ministro Alexandre de Moraes. Com informações da Folhapress.