COMPARTILHAR

Muitos paulistanos estão receosos de viajar de carro na véspera do feriado prolongado de Corpus Christi, devido à falta de combustíveis no estado. A primeira parada da Rodovia dos Bandeirantes, no quilômetro 28, com restaurante, lojas e posto de gasolina, tem movimento muito abaixo do normal.

"Está totalmente vazio, mais vazio do que um dia de semana normal", diz o dono de uma loja de sucos e açaí, Rogério Targa, 48.



O empresário reclama da falta frutas, principal insumo da sua loja. "Está faltando tudo. E, com a queda de movimento, o faturamento caiu 50% na última semana."

+ Faltam hortifrutis, ovo e até pão em 22 capitais após dez dias



No restaurante, o gerente Luciano Morais, 37, também teve prejuízo. "Está muito vazio, nem parece véspera de feriado", lamenta. No seu caso, os alimentos "ficaram empacados". "Recebemos logo antes da greve começar, mas como tem pouco cliente, estamos vendendo pouco", afirma.

No posto, funcionários dizem que a gasolina chegou entre terça (29) e esta quarta-feira (30), mas ainda não há etanol.

Segundo o gerente Douglas Lopes, 42, a maioria dos clientes desta quarta se deslocaram de outras cidades só para abastecer no posto, onde não há pouca ou nenhuma fila. Muitos são de Jundiaí, a 30 km de distância. "As pessoas estão com medo de viajar, estão evitando", explica Lopes.

O empresário Diego Cordeiro, 36, por exemplo, saiu de Jundiaí para abastecer no posto da Bandeirantes. "É longe, mas é melhor do que enfrentar uma fila enorme", afirma. O engenheiro Diogo Pavan, 36, também é de Jundiaí e parou para abastecer no caminho de volta do trabalho, em São Paulo.

Ele ia viajar com a família para o litoral, mas desistiu, por medo de não conseguir combustível para voltar. "Na praia sempre falta coisa", diz.

O estudante João Pedro, 18, também é de Jundiaí e preferiu abastecer no posto da Bandeirantes. "Lá está complicado demais", afirma.

ADAPTAÇÃO

Os poucos que decidiram viajar precisaram mudar a rotina e os planos.

Cláudio Conz, 66, do setor de materiais de construção, diz que passou a semana economizando combustível para poder ir com a esposa para a casa da família em Vinhedo. Para isso, usou o metrô pela primeira vez na vida, "única coisa boa dessa greve", conta.

"Foi maravilhoso. E ainda é de graça, não sabia que eu não precisava pagar", afirma. Acostumado a viajar pela Bandeirantes, diz que a estrada está vazia. "Para véspera de feriado está um espetáculo".

Mariana Pereira, 34, que trabalha com Recursos Humanos, e o marido tiveram sorte. Conseguiram abastecer em São Paulo e, por isso, não desmarcaram a viagem para Campinas. "Como é perto, dá para ir e voltar com o que temos no tanque", afirmam eles, que alugaram uma casa no AirBNB.

Quatro estudantes de Amparo (SP) contrataram um motorista para poder voltar para casa e visitar a família no feriado. Eles estudam em São Paulo, e os ônibus para Amparo estavam suspensos. "Não tinha previsão para comprar passagens na internet", diz Gabriella Bulgari, 19, que faz Rádio e TV.

"Pretendemos voltar para São Paulo no domingo, mas ainda não sabemos como", afirma Mirella Kassouf, 27, estudante de cursinho.

TRÂNSITO

Para a viagem não miar, a recomendação é que o viajante procure informações sobre a disponibilidade de combustível na cidade na qual vai passar os dias de descanso.

A expectativa é de que o trânsito nas rodovias paulistas seja bem menor em comparação com feriados passados. Mas, desta vez, as concessionárias não conseguem estimar o tamanho do tráfego e quais horários serão mais congestionados, já que a atual crise de abastecimento não tem precedente recente.

Acompanhe aqui as condições do trânsito em tempo real nas principais estradas que passam pelo Estado de São Paulo.

Para agilizar a distribuição de combustíveis, as três distribuidoras de combustíveis do país solicitaram ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorização para atuar em conjunto para tentar agilizar a retomada do abastecimento. O objetivo é negociar o compartilhamento de infraestrutura logística e estoques sem risco de ação por cartel no futuro.

A autorização foi concedida em caráter emergencial, pelo período de 15 dias, no qual as empresas terão que priorizar serviços públicos essenciais, como saúde e segurança pública. As empresas poderão criar centros integrados de logística para gerenciar em conjunto estoques e frotas de abastecimento. Com informações da Folhapress.