COMPARTILHAR

A tropa de choque do governo de Emmanuel Macron expulsou mais de 1.700 pessoas de um dos maiores campos de refugiados de Paris nesta quarta-feira (30). A decisão veio dois dias depois de o presidente francês anunciar a naturalização de um migrante do Mali que escalou um prédio para salvar um menino.

O campo era conhecido como Millénaire, nome de um centro comercial nos arredores, e ficava no 19° arrondissement (divisão administrativa típica da capital francesa).



Leia também: Cachorra dá à luz oito filhotes em terminal de aeroporto nos EUA

Os moradores -incluindo crianças desacompanhadas- foram colocados em ônibus e levados a centros de acolhimento, onde seus documentos seriam checados. Suas tendas já foram destruídas.



Em sua maior parte vindos de Somália, Sudão e Eritreia, os migrantes moravam havia meses no campo em condições sanitárias precárias, sem acesso a água corrente ou a banheiros. Outros campos devem ser desmontados ao longo dos próximos dias.

A realocação de refugiados interessa ao país porque facilita o controle do fluxo migratório. O governo também defende que suas instalações públicas são mais adequadas do que as tendas erguidas na rua.

Segundo a imprensa local, não houve resistência durante a operação, que envolveu mais de 500 policiais. Mas há alguma ansiedade entre os migrantes, que muitas vezes não são informados sobre seu destino final.

O temor é que, uma vez entregues à burocracia francesa, eles possam ser expulsos para outros países europeus.

Essa foi a 35ª operação policial do tipo nos últimos três anos, segundo o jornal Le Monde. O caso mais simbólico foi o da destruição do campo de Calais, há 18 meses, onde quase 10 mil pessoas viviam à espera de cruzar o canal rumo ao Reino Unido. Parte deles se deslocou para Paris.

O problema de base, no entanto, ainda não foi resolvido. Refugiados continuam a chegar à França, fugindo da extrema pobreza ou de conflitos civis -caso da Síria.

A questão afeta também o restante do continente. A Alemanha recebeu em 2015 quase 1 milhão de pessoas -numa política de "braços abertos" que teve custo político para a chanceler, Angela Merkel, com a ascensão de partidos contrários à migração. Com informações da Folhapress.