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O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Fernando Collor (PTC-AL), criticou a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista ao programa Salão Nobre.

"É um presidente que não me parece talhado para exercer a função com a responsabilidade e a sabedoria que se exige de um chefe de Estado norte-americano", afirmou.



Para Collor, Trump está “nadando contra a maré da globalização", processo que considera irreversível. O senador, que presidiu a CRE no biênio 2011-2012 e voltou à presidência da comissão em 2017, acredita que a política externa brasileira não mudou nesse período e "segue sua rota na busca do consenso, de partilhar entendimentos que conduzam à paz".

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O que mudou, de acordo com ele, foi a eleição de Trump, no fim de 2016, que provocou instabilidades no plano comercial e geopolítico. Para Collor, medidas como a taxação do aço falam diretamente ao público interno americano e têm como alvo as eleições parlamentares dos Estados Unidos, previstas para novembro deste ano. Depois do pleito, ele acredita que Trump pode mudar de postura.

Entre os desafios citados pelo presidente da CRE para a política externa brasileira estão a aprovação de um acordo para reduzir as tarifas de 25% impostas às importações de aço e a aproximação com os Estados Unidos. Collor também defendeu a aprovação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O acordo é negociado desde 1999. Outro desafio, segundo o senador, é conseguir absorver os “órfãos da globalização”, pessoas que não estão conseguindo acompanhar a evolução e a inovação tecnológica e se inserir no mercado de trabalho:

"70% das profissões existentes no mundo deixarão de existir daqui a uma geração. Esse é um desafio para a humanidade", alerta.