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Numa votação de resultado já esperado, o Senado argentino acolheu o pedido do juiz Claudio Bonadio de autorizar que se realizem operações de busca e apreensão nas propriedades da ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner, que incluem seu apartamento na Recoleta -que já fora vistoriado na semana passada-, sua casa no Sul do país, em Santa Cruz, onde de fato vive e em outros imóveis, a maior parte deles na Patagônia.

A decisão já era esperada porque a própria Cristina tinha se disposto a abrir suas propriedades para a investigação da causa dos chamados "cadernos da corrupção".



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Trata-se de um conjunto de cópias de documentos a que o jornal argentino La Nacion teve acesso, e que traz as anotações de um ex-chofer do ministério do Planejamento supostamente encarregado de levar e trazer propinas a políticos por parte de empresários.



A própria Cristina votou a favor das buscas, por afirmar que não tem nada a esconder. A vitória do "sim" foi de 66 votos a favor, entre os 72 deputados.

Estava previsto que, na mesma sessão, se tratasse também a retirada do foro parlamentar da ex-presidente e hoje senadora, o que poderia acelerar o processo de sua prisão preventiva. Porém, não houve tempo nem quórum para esta votação.

Cristina, em seu discurso, com algo de ironia, pediu apenas que não se "quebre nada" em suas casas, no bairro nobre da Recoleta, na cidade de Río Gallegos e no Calafate. Aproveitou para provocar o presidente Mauricio Macri, dizendo que os processos a que vêm respondendo são de "natureza política".

Fez, ainda, uma reclamação. "Sou a primeira senadora com um mandado de busca e apreensão. Tudo bem, tenho vocação de fazer coisas inéditas."

Na noite de terça, 21, houve uma grande manifestação para pedir que se retirasse o foro privilegiado da senadora para que responda pelas causas pelas quais é acusada, entre elas as de enriquecimento ilícito e de benefícios com a especulação do dólar-futuro. No entanto, o assunto deve ficar para as próximas sessões. Com informações da Folhapress.