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O comandante do Exército, general Eduardo Villa Bôas, aproveitou seu discurso sobre o Dia do Soldado para fazer críticas à atuação da classe política em segurança pública. Em mensagem assinada por ele e lida durante a cerimônia, afirmou que "aparentemente" apenas os militares têm se dedicado a resolver os problemas do Rio de Janeiro.

"Passados seis meses, apesar do trabalho intenso de seus responsáveis, da aprovação do povo e de estatísticas que demonstram a diminuição dos níveis de criminalidade, o componente militar é, aparentemente o único a engajar-se na missão."



No texto, Villas Bôas disse que o país vive dias de dificuldade e que as Forças Armadas têm sido chamadas frequentemente para resolver os problemas. Como exemplos, citou as crises vividas por estados como Rio Grande do Norte e Espírito Santo, além do Rio, "onde a população alarmada deposita esperanças em uma intervenção que muitos, erroneamente, pensam ser militar".

"Exigem-se soluções de curto prazo, contudo nenhum outro setor dos governos locais empenhou-se com base em medidas socioeconômicas, para modificar os baixos índices de desenvolvimento humano, o que mantém o ambiente propício à proliferação da violência", disse.



O general participou da cerimônia, realizada no QG do Exército em Brasília, ao lado do presidente Michel Temer. Participaram ainda do evento os ministros Rossielli Soares (Educação), Joaquim Silva e Luna (Defesa), Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e Caio Vieira de Mello (Trabalho) e Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Silva e Luna minimizou o tom e disse que a mensagem do comandante tinha como objetivo pedir a pacificação do país após o período eleitoral. "Brasil vive momento de disputa eleitioral. É natural que cada um apresente a sua forma do que é que vai fazer. Em algum momento, em dois meses, essa tarefa de enfrentamento estará terminada. Então a nação tem de unir para construir um Brasil . E a mensagem tem essa finalidade, e a minha também é essa, terminadas as eleições, precisamos pacificar os ânimos construir um outro Brasil."

Tanto Temer quanto Villas Bôas lamentaram as mortes dos três militares no Rio de Janeiro esta semana, durante operações da intervenção federal em segurança pública. "Voltamos nosso pensamento muito especialmente ao cabo Fabiano de Oliveira Santos, ao soldado João Viktor da Silva e ao soldado Marcus Vinícius Viana Ribeiro, morto há apenas poucos dias. Seus sacrifícios não serão em vão. Cumpriremos a tarefa imperiosa de recompor a ordem no Rio de Janeiro", afirmou Temer em mensagem lida na cerimônia.

Já o comandante do Exército se queixou sobre a pouca repercussão da morte dos militares. "Vivemos tempos atípicos. Valorizamos a perda das vidas de uns em detrimento das de outros", disse o general. "Suas mortes tiveram repercussão restrita. que nem de longe atingiram a indignação ou a consternação condizente com os heróis que honraram seus compromissos de defender a Pátria e proteger a sociedade."

Embora o general não tenha feito nenhuma menção direta ao assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em março durante a intervenção, os militares têm se queixado nos bastidores sobre a diferença de repercussão dos dois casos.

Os elogios de Villas Bôas ao trabalho das Forças Armadas ocorre num momento em que o apoio dos moradores da cidade do Rio de Janeiro à presença do Exército vem caindo.

O índice dos que são a favor da convocação dos militares diminuiu de 76%, em março, para os atuais 66%, enquanto aqueles que são contrários passaram de 20% para 27%, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada esta semana.

Desde outubro, quando o instituto fez essa pergunta pela primeira vez, a aprovação às Forças Armadas na capital fluminense já perdeu 17 pontos -naquele mês, eram 83% favoráveis ao emprego de militares para combater a violência no Rio.

O comandante do Exército disse ainda que o Brasil vive momentos de conflitos e incerteza. "Perdemos a disciplina social, a noção de autoridade e o respeito às tradições e aos valores, o que nos tornou uma sociedade ideologizada, intolerante e fragmentada. Estamos nos infelicitando, diminuindo nossa autoestima e alterando nossa identidade." Com informações da Folhapress.