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O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quarta-feira (29) que não cederá aos nacionalistas e afirmou que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, e o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, "estão certos" em considerá-lo como "principal adversário" no que diz respeito a questões sobre imigração.

"Não cederei frente aos nacionalistas e àqueles que pregam discursos de ódio. Se quiseram ver na minha pessoa seu principal opositor, têm razão", declarou Macron à imprensa durante uma visita à Dinamarca.



O presidente francês referiu-se à reunião realizada na última terça-feira (28) por Orban e Salvini na cidade italiana de Milão para elaborar um projeto contra a imigração. Na ocasião, o premier húngaro chamou Salvini de "herói" e considerou Macron como seu principal opositor na Europa, por abrir as portas à imigração em massa.

"Neste momento, na União Europeia (UE) existem dois blocos, um liderado por Macron, que é o chefe do partido que suporta imigração, e na outra parte estamos nós, que queremos controlar a imigração ilegal. Esta é a situação atual", disse Orban.



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Por sua vez, Salvini disse que "Macron deve ser o primeiro a mostrar a sua solidariedade pela abertura da fronteira em Ventimiglia. A Hungria tem o direito de defender suas fronteiras e seu povo e o objetivo comum é para defender as fronteiras externas".

A resposta do mandatário francês foi imediata. "Se eles dizem que a França é a inimiga da Europa deve pagar o que lhe convém, sem impor qualquer forma de responsabilidade e solidariedade, eles têm razão", ressaltou Macron.

"Nos próximos dias e meses, teremos que tomar decisões profundas para tratar a questão da migração. Isso implica sermos sérios e responsáveis, mantendo-nos fiéis aos nossos valores, como o direito de asilo, com uma verdadeira política a respeito dos países de origem e no nível interno", acrescentou.

Macron ainda ressaltou que "uma forte oposição entre nacionalistas e progressistas está sendo estruturada".Ele está visitando a Dinamarca para fazer alianças, com o objetivo de construir um "arco progressivo" na Europa que permita enfrentar governos nacionalistas e de direita. Logo depois, seguirá para a Finlândia. (ANSA)