COMPARTILHAR

Um dia após se lançar oficialmente na disputa pela presidência do Senado, a líder do MDB na Casa, Simone Tebet (MS), disse nesta terça-feira (22) que não é candidata do governo e reclamou da interferência do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na eleição parlamentar.

Tebet afirmou ter tomado conhecimento de que o DEM manteria a candidatura do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), apesar de o MDB ter a maior bancada da Casa, e que o partido preferiria a candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL) por, supostamente, ser um nome mais fácil de ser abatido por causa dos arranhões em sua imagem provocados pelos 18 inquéritos do qual já foi alvo no STF (Supremo Tribunal Federal) -9 casos foram arquivados.



+ PGR pede mais 60 dias para investigar Renan, Jader, Eunício e Braga

"Por parte do DEM, já tive uma conversa, uma sinalização de que interessaria até para o DEM uma candidatura do Renan contra eles porque, mesmo com voto fechado [secreto], eles acham que poderiam ganhar do MDB. Isso é algo que está circulando dentro do Senado. A princípio, acho que eles estão equivocados", disse a senadora.



Questionada sobre se entende haver dedo de Onyx, respondeu que sim.

"Não tem como não ter", afirmou. "O que circula na Casa muito fortemente é que o DEM tem uma preferência por uma candidatura do MDB frágil porque o DEM quer a presidência do Senado. É o DEM, não o governo. Porque o governo quer a governabilidade", disse a senadora, lembrando que "não se vota uma reforma da Previdência sem ter a maior bancada apoiando".

Procurado por meio de sua assessoria, Onyx informou que não iria se manifestar.

+ Oposição ensaia montar 'blocão' na Câmara contra Maia e Bolsonaro

A senadora disse que não é a candidata do governo, mas que não negaria recebimento de apoio. Oficialmente, o MDB diz ter optado por "independência a favor do país".

"Vou apoiar iniciativas do governo se achar que é bom para o país", afirmou Tebet. "Meu problema não é com o governo. Estou dando o benefício da dúvida. Por enquanto é um movimento da bancada do DEM, que já tem três ministérios, disputa a presidência da Câmara e quer a presidência do Senado. Este é um momento em que você tem que ter a balança fiel da tripartição dos poderes."

O partido do presidente Jair Bolsonaro, PSL, lançou a candidatura do Major Olímpio (SP), mas há indícios de que ele deve recuar.

Tebet telefonou para Renan Calheiros e os dois conversaram nesta terça. Ela não descartou lançar candidatura avulsa caso seja derrotada na disputa interna na bancada do MDB na próxima terça-feira (29).

"A última coisa que pode acontecer é o MDB perder a presidência [do Senado]. Se depender de mim, isso não vai acontecer", disse a senadora.

Simone Tebet pretendia oficializar sua candidatura somente no fim do mês. Afirmou que decidiu antecipar o movimento por alguns motivos, como a intenção do DEM de enfrentar o MDB. Mas este não é a única razão.

"Diante da dificuldade que estou vendo do apoio de outros colegas à candidatura de Renan, estou me colocando como candidata dentro da bancada", disse a senadora, que passou o dia conversando com colegas de Senado.

+ Governo quer cortar até 30% dos servidores da área de comunicação

Após a divulgação das declarações de Tebet, Renan foi às redes sociais dizer que a candidatura dela "robustece o processo decisório e consolidará ainda mais a união da nossa bancada. O fundamental é que cheguemos juntos ao plenário no dia 1º de fevereiro".

A assessoria do presidente nacional do MDB, Romero Jucá, divulgou nota afirmando que o partido via com satisfação o lançamento da candidatura.

"Em nenhum momento, esta candidatura divide o MDB", diz o comunicado. Com informações da Folhapress.