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Na contramão do que defendeu o presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, o vice-presidente, Hamilton Mourão, negou nesta quarta-feira (23) que o Brasil possa fechar a Embaixada da Palestina.

"Nada disso. Os dois Estados são reconhecidos, o resto tudo é retórica e ilação", disse Mourão, que assumiu interinamente a Presidência com a viagem de Bolsonaro a Davos, na Suíça, para o Fórum Econômico Mundial.



O interino também lembrou da declaração feita pelo representante brasileiro na ONU, que defendeu na terça (22) um acordo entre Israel e Palestina.

Em seu primeiro pronunciamento oficial sobre o conflito desde que Jair Bolsonaro tomou posse como presidente, o governo brasileiro defendeu uma "solução de dois Estados" em um novo acordo de paz conduzido pelos EUA.



O discurso foi feito pelo embaixador Frederico Meyer durante reunião do Conselho de Segurança da ONU na terça.

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A fala do embaixador foi aguardada com ansiedade pelos presentes já que representantes de outros países esperavam que ele confirmasse uma inversão da política brasileira em relação ao conflito entre israelenses e palestinos, o que não ocorreu.

Mourão disse que "nada mudou" desde 1947, quando o Brasil reconheceu o Estado da Palestina.

No período eleitoral, Bolsonaro disse que a Embaixada da Palestina não tinha razão de existir porque não se tratava de um Estado. Ele chegou a falar que o prédio era um 'puxadinho' e disse que se isso não fosse alterado, em breve poderia haver a criação de uma embaixada das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território brasileiro.

Durante o governo de transição, o presidente foi mais reticente ao comentar sobre a embaixada e disse que precisava ser revisto o fato de ela ficar tão próximo ao Palácio do Planalto, de onde despacha.

A exemplo do que fez o governo de Donald Trump, nos EUA, Bolsonaro prometeu transferir a Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O governo, contudo, ainda trata o tema como um assunto não resolvido. Com informações da Folhapress.