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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A expectativa de vida nos EUA diminuiu em um ano e meio em 2020 e passou para 77,3 anos, a menor média desde 2003, segundo o CDC (Centro de Controle de Doenças). A principal razão para isso foram as mortes por Covid-19, na maior queda do índice em um ano desde a Segunda Guerra Mundial, quando o índice regrediu 2,9 anos entre 1942 e 1943.

"A expectativa de vida vinha crescendo gradualmente todos os anos nas últimas décadas. A queda entre 2019 e 2020 foi tão grande que nos levou de volta para o nível de 2003. É como se tivéssemos perdido uma década", disse Elizabeth Arias, pesquisadora do CDC, à agência de notícias Reuters.



A expectativa de vida estima quantos anos os bebês deverão viver, em média. Assim, os recém-nascidos atuais deverão viver até 77,3 anos, na média geral. O CDC faz cálculos para quase todas as faixas etárias: americanos que atualmente estão com 75 anos, por exemplo, devem viver mais 12 anos. E quem tem 85 tem expectativa de viver mais 6,7 anos.

No Brasil, a expectativa de vida ao nascer era de 76,6 anos em 2019, segundo o IBGE, que faz o cálculo oficial do índice no país. O instituto ainda não divulgou números de 2020. Um estudo feito pela equipe da demógrafa Márcia Castro, professora na Universidade Harvard, apontou que a expectativa de vida no Brasil caiu 1,94 ano no ano passado e recuou para 74,8 anos de vida.



Cerca de 3,6 milhões de pessoas morreram nos EUA em 2020, cerca de 375 mil delas por Covid. A doença foi a terceira maior causa de falecimento, depois de problemas cardíacos e câncer.

Mortes geradas pela Covid foram responsáveis por 74% da queda de expectativa nos EUA. Além disso, overdoses por consumo de drogas -incluindo opioides- também deram contribuição importante: óbitos por essa razão tiveram alta de quase 30% em 2020 e mataram 93 mil pessoas. Por outro lado, a redução nos falecimentos por câncer ajudou a elevar a expectativa de vida e a mitigar a baixa no índice gerada por outros fatores.

Outra questão é que, com a pandemia, muitas pessoas adiaram ou interromperam tratamentos para doenças crônicas, como diabetes ou pressão alta, o que pode gerar complicações no futuro.

A taxa de suicídios caiu 4,6% no país no ano passado, apesar de algumas previsões de que o isolamento social poderia agravar o problema.

As disparidades entre grupos sociais também aumentaram.

A expectativa de vida de negros caiu 2,9 anos no período, e passou para 71,8 anos, nível mais baixo desde 2000. E para homens latinos caiu 3,7 anos, para 75,3 anos de vida.

Negros e hispânicos costumam ter menos acesso à saúde e a receber salários menores. Muitos deles tiveram de continuar trabalhando nas ruas durante a pandemia, o que os deixou mais expostos ao vírus.

Já as mulheres seguem com expectativa de vida maior, de 80,2 anos, quase seis a mais do que homens.

Em 2020, houve também baixa no número de nascimentos. No ano passado, 3,61 milhões de bebês nasceram nos EUA, o menor volume desde 1979. O número de partos já vinha baixando há alguns anos. Os adultos que estão na faixa dos 20-30 anos, apelidados de millenials, têm se casado mais tarde e possuem menor estabilidade financeira, o que os fazem adiar ou cancelar a ideia de ter filhos.

A expectativa de vida voltou a crescer após grandes impactos, como a gripe de 1918 -quando a queda foi de 11,8 anos- e as guerras mundiais. Desta vez, no entanto, a recuperação deve ser mais lenta. Especialistas avaliam que a perda na expectativa de vida não deve se recuperar em 2021, e pode cair ainda mais se houver avanço de novas variantes do coronavírus. A mutação delta, que é mais contagiosa, já responde por 80% dos casos nos EUA.

No entanto, as atuais vacinas seguem com eficácia acima de 90% mesmo contra a variante delta, disse Anthony Fauci, principal infectologista do governo americano, em uma audiência no Senado na terça (20).

As mortes por Covid nos EUA têm somado em torno de 240 por dia. O número é o dobro do que o registrado na semana passada, mas ainda distante dos piores momentos da doença no país, quando essa taxa superou 3.000 óbitos diários.

A vacinação nos EUA avança em ritmo abaixo do esperado, em parte por causa da atuação de grupos que espalham mentiras sobre os imunizantes. Mensagens do tipo são espalhadas em canais como a Fox News e em redes sociais, muitas vezes para atrair audiência.

Em julho, os Estados Unidos têm aplicado em torno de 500 mil doses de vacinas por dia. Em abril, o país superou 3 milhões de injeções diárias. A cobertura vacinal é menor nos estados do Sul, como Geórgia e Louisiana, e no meio-oeste, como Idaho. Até agora, 65,8% dos americanos com mais de 12 anos tomaram a primeira dose, e 57,1% -161,9 milhões-, estão totalmente imunizados.