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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – Dose extra de vacina contra Covid para maiores de 50 anos e imunização de crianças e adolescentes são o "plano A" da Inglaterra para evitar a volta de restrições antipandemia de coronavírus, disse nesta terça (14) o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Ele não descartou porém a possibilidade de tirar da gaveta um "plano B", se houver sinais de risco de sobrecarga no sistema público de saúde, afirmou o premiê.



Nesse plano de contingência estão previstas medidas como uso obrigatório de máscaras, orientação para trabalhar em casa e certificado de vacinação como requisito para entrar em alguns locais.

Ao Parlamento, o secretário de Saúde do Reino Unido, Sajid Javid, afirmou também nesta terça que é "altamente provável" que a vacina seja obrigatória para funcionários da saúde pública e assistentes sociais. No momento, ela é compulsória para funcionários de lares de idosos na Inglaterra.



De acordo com o governo britânico, medidas mais duras podem se tornar necessárias em quatro situações: 1) se a lotação dos hospitais aumentar muito, 2) se houver uma aceleração sensível nos casos de doença grave, 3) se subir a proporção de pessoas contaminadas que precisam ser internadas ou 4) se o sistema público de saúde estiver sob estresse por outro motivo que não a pandemia.

O número de hospitalizações por causa do coronavírus hoje é muito mais baixo do que no pico, em janeiro deste ano: 8.256 pacientes internados e 1.500 em UTIs, contra 38 mil hospitalizados e cerca de 4.000 em UTIs. Mas centros de saúde estão sob alta demanda de pessoas que não puderam fazer outros tratamentos durante a pandemia.

Os planos estão sendo anunciados agora porque foi nessa época que a situação da pandemia começou a piorar em 2020. "Outono e inverno são os períodos em que os vírus respiratórios são favorecidos", disse o diretor médico do governo inglês, Chris Whitty.

O governo quer evitar que um novo repique de Covid se some aos casos de gripe e cause novo colapso no sistema público de saúde. "Não tivemos ainda um inverno com a variante delta, então é possível que a combinação da delta mais as condições de inverno possa persuadir o governo a acionar o 'plano B' ", disse Whitty.

Uma forma de evitar isso, segundo o governo britânico, é ampliar ainda mais a proporção de pessoas vacinadas. Primeiro país europeu a lançar sua campanha, em 8 de dezembro de 2020, o Reino Unido já completou a imunização de 81% dos britânicos de 16 anos ou mais; outros 8% tomaram a primeira dose.

A velocidade de vacinação, porém, caiu nas últimas semanas, tanto para a primeira injeção quanto para a vacinação completa, e há cerca de 5 milhões de britânicos adultos que ainda não tomaram nenhuma dose.

"Se você ainda não se vacinou, essa é a hora de pensar nisso", afirmou Boris Johnson. "Dependendo da sua idade, você tem até nove vezes mais probabilidade de morrer se não for vacinado do que se tiver recebido as duas doses", disse o premiê.

Witty alertou para o fato de que o país está entrando no outono com números de casos, hospitalizações e mortes mais altos que os de 2020. O governo, disse Boris, espera "contar com a sensatez e a responsabilidade" das pessoas para manter medidas de segurança como usar máscaras em locais fechados, lavar as mãos e ficar em casa se sentir sintomas de Covid.

A partir da próxima semana, será dada uma dose extra de vacina para pessoas com 50 anos ou mais, profissionais de saúde da linha de frente, idosos que moram em asilos ou pacientes com o sistema imunológico comprometido, além de seus cuidadores.

A Inglaterra também anunciou uma campanha de vacinação para crianças entre 12 e 15 anos, que deve ser feita nas escolas, a partir da próxima semana, desde que com o consentimento dos pais ou responsáveis.

O comitê científico sobre imunização havia recomendado que crianças saudáveis dessa faixa etária não fossem ainda vacinadas, pois não há evidências suficientes sobre o custo-benefício, mas o governo avaliou que a medida traz outros benefícios indiretos, principalmente na redução de faltas escolares e do impacto sobre a saúde mental dos mais jovens.