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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo do Líbano prendeu até agora 19 pessoas após o ataque que deixou sete mortos na capital Beirute na quinta-feira (14), segundo uma agência de notícias do governo.

Os enterros das vítimas nesta sexta-feira (15) foram acompanhado por centenas de pessoas, em meio à tensão após um dos confrontos mais violentos em anos, que reacendeu o temor de uma guerra civil.



Seis dos sete mortos pertenciam aos dois partidos xiitas do país, o Hezbollah e seu aliado, o movimento Amal. As legendas organizaram na quinta-feira um protesto em frente ao Palácio de Justiça de Beirute para exigir a substituição do juiz Tareq Bitar, responsável pela investigação sobre a explosão no porto da capital, no ano passado, que deixou mais de 200 mortos.

O magistrado quer processar vários funcionários do governo, que têm se recusado a prestar depoimento. Autoridades do país afirmaram que as enormes quantidades de nitrato de amônio que explodiram no porto foram armazenadas por anos sem precaução.



As circunstâncias exatas do confronto de quinta-feira continuam confusas. O exército menciona "tiroteios quando os manifestantes seguiam para um protesto diante do Palácio de Justiça". O ministro do Interior, Bassam Mawlawi, afirmou que "franco-atiradores" abriram fogo contra os manifestantes.

Nesta sexta, em um discurso no funeral de dois membros do Hezbollah nos subúrbios de Beirute, Hasehm Safieddine, alto funcionário do grupo, acusou o partido cristão Forças Libanesas de ter "provocado deliberadamente um massacre", com o objetivo de desencadear "uma nova guerra civil".

Centenas de pessoas compareceram aos funerais das vítimas, cujos caixões estavam cobertos por uma bandeira amarela do Hezbollah.

O movimento Amal enterrou três de seus membros, entre eles um jovem de 26 anos, em um funeral realizado em outra cidade do país, entre muitos tiros.

A sétima vítima é uma mãe de cinco filhos que morreu ao ser atingida por uma bala perdida quando estava em sua própria casa.

As duas formações xiitas acusam o partido Forças Libanesas de ter posicionado franco-atiradores nos telhados de edifícios próximos ao Palácio de Justiça, que teriam aberto fogo contra os manifestantes que se aproximavam dos bairros cristãos vizinhos.

O Forças Libanesas negou as acusações, exigiu uma investigação oficial e acusou o Hezbollah de "invasão" aos bairros cristãos. O protesto aconteceu nos arredores da antiga linha de demarcação durante a guerra civil (1975-1990) entre os bairros muçulmanos e cristãos de Beirute.

Nesta sexta, moradores e comerciantes calculavam os estragos e coletavam os vidros quebrados. "Voltamos para 1975", disse Fawzi Saghir, um vendedor de carros em Tayouné.

O ataque teve reação internacional. A Rússia pediu "moderação" às forças políticas no Líbano. A França também pediu calma, e o governo dos Estados Unidos expressou apoio "à independência do Poder Judiciário" no Líbano.

O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, fez um apelo em que pediu o "fim dos atos de provocação". Também defendeu uma "investigação imparcial" da explosão do porto.